3.6.12

HOMEM DOS RATOS


Sigmund Freud analisou um jovem cujo trabalho foi publicado como - Homem dos Ratos (1909) - Vol. X da Coleção das Obras Completas de Freud da Editora Imago. Freud procurou formular, a partir do estudo do caso, uma explicação sobre a neurose obsessivo-compulsiva à luz da teoria psicossexual do desenvolvimento. Para tanto, atingiu uma descrição rica e precisa de rituais e obsessões que seu paciente apresentava, buscando interpretá-los à luz de sua teoria. Tal concepção prevaleceu até pouco tempo atrás, quando novos fatos vieram amadurecer essas concepções.

No transcursar da narrativa do filme à Psicanálise se mostra ser surpreendente, em várias ocasiões vemos o triângulo edípico, é notável na expressão do paciente, que ele ainda não se desprendeu- fase uterina – de sua mãe, sendo extremamente apaixonado por ela, tornando-a única mulher de sua vida.  O temor que o paciente vivencia se mostravam evidentes na analise de Freud. Observamos que o paciente sofria de temores de que algo acontecesse a duas pessoas de quem mais gostava - seu pai e uma jovem a quem admirava. 

Assim, pois, tinha consciência de impulsos compulsivos - tais como, por exemplo, de cortar sua garganta com uma navalha -, produzindo ulteriormente proibições, muitas vezes vinculados com coisas triviais, assim como no dia em que a jovem de quem gostava ia partir, e ele bateu com o pé numa pedra da estrada em que caminhava, e foi obrigado a afastá-la do caminho, pondo-a a beira da estrada, logo após lhe veio à ideia de que o automóvel dela iria passar e poderia acidentar-se nessa pedra.

Apesar disso, minutos depois pensou que era um equívoco, e foi obrigado a voltar e recolocar a pedra à sua posição original.  Sobre visão psicanalítica, o temer do paciente é um desejo reprimido – o medo é o filho do desejo – já que o paciente deseja a mãe e odeia seu pai, por ter sido rígido e severo por toda sua tenra infância, apresentando pensamentos perversos de origem de sua sexualidade precoce e intenso sentimentos de raiva contra seu pai - que haviam sido severamente reprimidos.

Quando observamos o paciente, notamos o modelo edípico, visto que um de seus desejos é de exterminar seu pai, para ficar com sua mãe. Analisando o filme percebemos o diagnostico de uma patologia mental, ou seja, um sentimento psíquico de neurose obsessiva – assim, nomeado por Melanie Klein - o amor e o ódio vivem em constante disputa no espaço psíquico e, que causa no individuo ataques de desespero, na busca de encontrar racionalidade diante de sua fantasia. Exemplo é quando o paciente começa a contar de 1 a 10, procurando encontrar sua racionalidade.

Nesta visão psicanalítica, analisamos que o paciente tem forte conexão umbilical com a mãe e, assim, as três mulheres que passar a existir em sua vida, é uma representação de sua mãe, quando direciona seu olhar para uma dessas mulheres, equivaler a admirar sua mãe. Na experiência de sua neurose, para possa estar com uma dessas mulheres, o pai precisa morrer. 

Freud denomina essa fase de sentimento como: conflito edípico. Na época, em que pelo filme foi narrado, não existiam as terias das posições de Melanie Klein. Contudo, poderíamos refletir a respeito de elas e associa-las ao filme, consistir em uma contribuição madura a partir das posições de Klein. De tal modo, entendemos que o paciente apreciava sua namorada como sendo – seio bom – quando ela o satisfaz e, – seio mau – quando ela diz que não o ama.

O paciente descreve seu ego inferiorizado, por vezes se diz criminoso, uns dos motivos pelos quais dizia ser um criminoso constituíam em estar sempre devendo para alguém – o pai.  Em sua análise com Freud, o paciente sentia-se recompensado, quando se masturbava e, logo, permitia que seu pai entrasse em seu escritório, para ver o trabalho desenvolvido por ele. 

O símbolo do rato levou Freud e o paciente a uma série de associações que incluíam erotismo anal, lembranças de excitações anais quando o paciente em criança eliminava lombrigas – Freud interpretava como simbolizando um pênis –, e o fato de ter sido espancado pelo pai aos quatro (4) anos de idade por ter mordido uma pessoa. Associou ainda com dificuldades antigas do pai do paciente com o jogo - em alemão, um jogador é uma spielratte ou rato-do-jogo-, a ideia infantil do parto anal e a própria experiência real de haver tido verminose quando criança. Após um ano de análise, o paciente elaborou sua curou de seus sintomas e, nas palavras de Freud, "o delírio dos ratos desapareceu".

O analista, segundo Bion, só será bom o suficiente, se igualmente puderes re/conhecer a si mesmo – saber os seus limites –, apresentar uma compreensão de si mesmo.  Quando paciente projeta suas resistências no analista, logo, percebera sua incoerência e voltará em seu estado de racionalidade. O analista em sua terapêutica troca de lugar com o superego do paciente, de forma a descreverá qual é o ideal de ego do paciente.

Prontamente, é evidente que o filme faz jus ao nome O Homem dos Ratos, significando que o rato é uma representação de criatura desprezível, imunda e ele sentia-se bem como sendo um rato, imaginava os ratos saindo pelo o ânus do seu pai, ou abocanhando todo seu corpo, no tumulo, sentia que ele era o rato que punia seu pai por ser tão rígido e cruel com ele, em toda sua vida.

A partir da análise é muito importante descrever que, é na infância que todo trauma foi vivido, transcorrendo para fase adulta como uma neurose obsessiva, o paciente vive culpando a si mesmo e ao objeto de desejo, martirizando-se por seus sentimentos reprimidos, quando compreende cada um deles pode elaborar a compreensão dos seus conflitos, com o apoio do analista e, assim, podendo elaborar uma nova fase de sua vida. 

Considerações finais

O simbolo é uma forma representativa dos nossos sentimentos, conscientes ou inconscientes.  O simbolo pode ser representado como sendo bom ou ruim, de tal forma nos remete a recordação do objeto  de desejo, consciente ou inconsciente. 



2.6.12

ENSAIOS SOBRE A TEORIA DAS POSIÇÕES



Nesse processo da divisão e integração do sistema psíquico e, por conseguinte do objetivo primitivo: seio bom e seio mau. Melanie Klein (1929 – 1946) se utiliza das ideias construídas por Sigmund Freud, sendo de grande importância no processo do esboço de suas ideias.

Segundo Klein, os processos primários e secundários da psique existem desde o início da vida do bebê, ou seja, desde o útero. Existe, também, sensata tendência à integração, dizemos que – Eros é o influenciador neste aspecto, e Thânatos é o mestre em influenciar a desintegração. O bebê em sua imaturidade não pode distinguir tal diferença entre ambos dentro do processo psíquico do humano.


“Na perspectiva da Psicanálise, o analista participa do fenômeno, estando por vezes no lugar do Superego do paciente.”

A autora propõe um inconsciente primitivo do bebê, representado por objetos parciais e descrevendo-o como a posição esquizo-paranóide, de tal maneira que, na satisfação às frustrações, o bebê integrar-se-ia a estas partes em um objeto total, vivenciado o que Klein nomeou de posição depressiva.  A posição esquizo-paranóide tem início do nascimento até por volta dos seis meses de idade, o desenvolvimento do eu é determinado pelos processos de introjeção e projeção. 

Entendemos que, a primeira relação objetal do bebê ocorre com o que Klein chamou de seio bom e mau. Mantendo esta linha de pensamento, é possível notar que os impulsos destrutivos e a angústia persecutória encontram-se no seu clímax, igualmente como os processos de divisão, onipotência, idealização, negação e controle dos objetos internos e externos.

O que proponho é de pensarmos sobre Mãe-Bebê, quanto ao conceito de Eros e Thânatos. A mãe é uma grande fonte de estudo, nas contribuições tanto de Eros quanto Thânatos no processo de desenvolvimento do Bebê, em sua contribuição de integração – Eros –, e desintegração – Thânatos.  Bem como sabemos: a mãe é o continente que oferecerá forma àquilo que é o bebê, que chamaremos de conteúdo. 

No desenvolvimento, é proposta uma constância, já que o bebê está todo desordenado, é a mãe que apresentará o norte à vida do bebê, ensinado a hora de mamar, brincar e dormir. Havendo ausência desse aconchego, e atenção da mãe na tenra infância, o paciente, consequentemente, terá algumas dificuldades em lidar com esta falta na fase adulta. No set-terapêutico, o analista propõe ao paciente uma invariância, constância para que possa compreender esta falta e poder prosseguir sua vida sem tantos transtornos.

Segundo Melanie Klein a defesa primordial é a clivagem, o seio é o objeto primordial e será dividido em seio bom e seio mau, ou num bom objeto que o bebê possui e num mau objeto que está ausente, como mãe nunca está sempre presente na vida bebê para amamentá-lo ela se torna ausente e o bebê com isso inaugura o processo de clivagem em sua subjetividade. Ele percebe o seio como – bom – porque o amamenta e como – mau – porque se ausenta.

A mãe é o ambiente seguro para que o bebê possa formar o seu Ego, já sabemos que é o ego da mãe que da vida ao bebê, por isso, é importante que a mãe sempre proporcione o ambiente seguro para que o bebê desenvolva o seu próprio Ego, e assim poder existir na ausência do ego da mãe, ou seja, formulando que ele é a mãe são objetos distintos e não um único objeto. 

Nesse momento, o bebê reconhece a mãe como um único objeto, ou seja, o bebê começa a reconhecer a mãe como uma pessoa total com existência própria e independente, fonte de experiências boas e más. A criança compreende pouco a pouco que é ela quem ama e odeia a mesma pessoa, sua mãe, e assim inaugura a experiência do chamado sentimento de ambivalência.

No segundo momento, se desenvolve a posição depressiva, ela inicia aos seis meses de idade, nesse momento a relação do bebê com o mundo externo se torna mais diferenciada, aumentando sua capacidade de expressar emoções de se comunicar com as outras pessoas. Mas se a mãe é ausente em grande parte do desenvolvimento do bebê, deixando de ser o ambiente seguro e que proporciona o desenvolvimento do seu ego, a criança enrijecer-se-ia ou sucumbir-se-ia, devido à ausência do ambiente seguro, mãe. Entendemos, então, que o bebê percebe que antes temia a destruição do seu objeto amado por perseguidores e agora ele teme que essa sua agressão possa destruir o objeto ambivalentemente amado e odiado. Sua angústia deixa de ser paranóide pra ser depressiva. E assim começa a se originar sentimentos de culpa e luto, como afirmar Melanie Klein.

O bebê projetará sua pulsão de morte na mãe, pois lhe causa desconforto, ansiedade e a melhor forma de se livrar disso, é projetando a pulsão de morte na mãe – seio mau.  Bem como intuímos, o bebê nessa fase se relaciona com objetos parciais, o seio bom e mau, um objeto ideal e outro persecutório. Entretanto, o objeto mau é projetado para fora do bebê como sendo perseguidores e destruidores do objeto bom. Nessa fase observamos a existência de uma angústia persecutória, então a meta da criança nessa fase é de possuir o objeto bom e introjetá-lo e, além disso, projetar o objeto mau para fora e de tal modo a evitar os impulsos destrutivos.

Na projeção de vida, o seio bom é idealizado, de forma que se fundirá com a presença da mãe e a provisão de suas necessidades. O seio bom e o seio mau estão no interno do bebê, mas é a mãe que irá confirmar que não e, ele projeta na mãe essa divisão: seio ideal e seio persecutório. Para o bebê a mãe são pedaços, é, por isso que o bebê elegera quem traz prazer é uma e a que lhe traz o desprazer é outra. 

Quando o bebê estiver com o seio bom, vai temer a chegada do seio mau.  O bebê sente e compreende que o inimigo está presente no outro, e uma hora este mesmo inimigo vai persegui-lo – Klein chama essa experiência como: posição esquizo-paranóide. Caso o bebê não projetar o ruim no outro – mãe – começara a definhar. 

A psicose surge desses conflitos internos em sua tenra infância, de alguma maneira cada um do seu convívio é responsável por um pedaço desse todo. Elucidando, caso o Ego do individuo esteja nas mãos de outros, ou seja, precisa do outro para dizer quem é ele, é o superego do individuo que regerá sua vida e, certamente, vai vivenciar uma autocomiseração e fantasia, podendo se tornar um psicótico.

Nesse processo é importante que a mãe suporte todas essas projeções, a partir desse ambiente seguro, o bebê começa a compreender que o seio bom e seio mau são a mesma pessoa. A partir do acolhimento da mãe, que tornou o conteúdo integrado, o bebê começa a compreender que toda essa bagunça externa está dentro dele – Klein – nomeia este sentimento como sendo: posição depressiva - capacidade de suportar a culpa de ter odiado quem o ama. A ansiedade do bebê – posição depressiva – é que as suas hostilidades possa destruir ou danificar o objeto amado – culpa. 

No desenrolar do processo de desenvolvimento psíquico é que o bebê sente dificuldade em compreender que existe outra pessoa além dele, a mãe.  Desta forma se inicia um processo de reparação dessa relação objetal ambivalente. É com esse processo de reparação desse luto e culpa é que constituirá na melhor saída da posição depressiva. Esse processo se dá com a aceitação da perda de parte do objeto, sucedendo essa condição o bebê poderá restaurar o objeto amado, porque somente assim ele poderá reparar o desastre ocorrido e assim preservar o objeto amado de outros ataques dos objetos maus, esse processo de superação e reparação, segundo Melanie Klein, é o chamado de trabalho de luto.

Portanto, através da elaboração da perda é que o bebê incide a trabalhar saudavelmente a construção de sua subjetividade. E de acordo com Melanie Klein, nós sempre estaremos vivendo as posições esquizo-paranóide e depressiva ao provir de nossas vidas, sempre de forma alternada, segundo a Psicanálise Kleiniana, essas são as únicas formas de se convivermos com objeto e de viver nossa angustiosa e terrível realidade.


“O amor e o ódio disputam espaço dentro do aparelho psíquico, é de extrema importância equilibrar a tríplice do aparelho psíquico: Id, Ego e superego.”

30.5.12

ENSAIO SOBRE LUTO E MELANCOLIA E AS VICISSITUDES

Segunda Tópica:

A base do que vamos pensar é que a Psicanálise não é nova, porém, confortável. Enquanto algumas teorias procuram compreender tudo de forma intelectual, a Psicanálise visa à estrutura emocional. Quando perdemos algo que consideramos importante, passamos pelo processo de luto: a perda começa desde o parto – a perda do ambiente do útero interior, para o mundo exterior, fora da barriga.

Recolhimento: É o momento a partir do qual nos recolhemos do mundo externo e voltamo-nos para o mundo interno, vivendo uma fase de latência, pois nos desinteressamos pelo que está no mundo externo. Somos abandonados por Eros e ficamos a cargo de Thânatos.

Esquema de luto: Entendemo-lo pelo “perde o perigo”. Há o recolhimento até que consiga compreender o que está a sua volta e reformular seu mundo sem o objeto perdido.

Melankholia: Do grego Khlis (bílis) e Mêlos (negro), literalmente bílis-negra. Quando se perde o objeto de desejo, em nosso processo de elaboração do Luto, o mundo torna-se pobre e vazio. 


No estado de melancolia o Ego torna-se carente e vazio, pois, vivencia um estado (permanência) de sofrimento, por não conseguir elaborar a perda, culpa-se o objeto perdido por suas falhas, ou, busca ser ou torna-se o objeto perdido. Na melancolia o próprio eu se perde com o objeto. 

O autismo poderia ser um exemplo de melancolia crônica, uma vez que se ele vivesse ainda no útero, pois não é preciso lidar com o externo, só existe o seu mundo e nada mais. Na melancolia vivemos o narcisismo, de modo que por precisar do outro para ser Eu, se o outro morrer, ou se morre junto, ou torna-se o outro para viver. 


25.5.12

Ensaio da compreensão básica sobre a Psicanálise

Por Maicon José de Jesus Vijarva

Uma visão topográfica do aparelho psíquico:


TOPOS (do Grego, lugar).
Segundo Freud (1915/1996b, p. 179): 
“Nossa topografia psíquica, no momento, nada tem que ver com a anatomia; refere-se não a localidades anatômicas, mas a regiões do mecanismo mental, onde quer que estejam situadas no corpo.” ··.

Libido: Necessidade de saciar o desejo carnal, também, podendo ser denominado de uma carência.

Primeira tópica: Nesse sentido, os processos mentais foram divididos em três sistemas básicos: o inconsciente (Ics), o consciente (Cs) e o pré-consciente (Pcs):

Inconsciente: é tudo aquilo que fazemos sem perceber, sem termos o conhecimento de que estamos fazendo e tudo que está no inconsciente traz consigo insegurança, é uma parte que o eu desconhece. É no inconsciente que se localiza a libido, por isso, que no inconsciente não mensuramos o tempo, pois não há tempo e nem espaço. É onde produzimos nossas fantasias, sonhos. Podemos dizer que o sonho é a maneira mais fiel dos conteúdos inconscientes, constante realização de desejos, acompanhadas de imaginações e fantasias.

Pré-consciente: É a parte do aparelho psíquico, no qual ocorre a junção do externo com o interno, ou seja, da consciência com a inconsciência. No entanto, é a área de representação, simbolização do objeto, que é oriundo de dois lados, duas partes – percepção da realidade consciente – e, também, da pulsão inconsciente que misturamos as coisas, as informações, os sentimentos, tudo porque não foi possível passar por uma barra de censura entre ambas às partes.

Consciente: O consciente é tudo o que é externo, real, em que o podemos reconhecer os objetos, sentimentos. É a fronteira entre o psíquico (mente) e o somático (corpo), no qual as pulsões primitivas entre os dois se manifestar-se-ão no corpo, causando sintomas fisiológicos.

Ensaios para compreensão da Segunda Tópica:

Pulsão + Objeto = IMPULSO

O impulso vem da pulsão e só pode acontecer quando está na presença do objeto – Eros – interior para o exterior, sempre estará a favor do outro, contra o eu. Sendo a catexia libidinal, e não sendo uma libido livre, mas, apenas, uma pulsão.

Assim, um processo secundário fará com que o outro dite a verdade.  No entanto, se o objeto não for capaz de acolher, numa função nirvana, ou seja, recolhe-se – quietude em si mesmo. Esse desejo é reprimido, sendo jogado de volta ao ICS, expulso do CS e esse eu passara a criticar todos os que alcançaram seus objetivos, uma vez que ele não pode ser, não deixará o outro ser.

Objeto Substitutivo: o reprimido voltará a buscar o objeto de forma ambígua: Amor e ódio. O reprimido é tudo aquilo inconsciente que não foi obtido espaço no consciente, sendo algo que não pode se realizar, que não pode ser levado ao mundo externo, é aquilo que desejamos ter ou ser e não conseguimos, mas achamos que somos ou é nosso.

Mas, temos salvação caso esses elementos reprimidos que só saíram da fase da latência, para o manifesto, quando encontrarem portas para um ambiente seguro.  Todavia, pode ocorrer desses elementos reprimidos nunca encontrarem portas para voltar para o consciente, conseguindo assim verbalizar o que se sente – geralmente isso ocorrerá na tenra infância. Caso não verbalize, sempre existira uma angústia desconhecida, pois não saberá o que ocasiona toda essa angústia.

Representação: É quando a pulsão encontra no seu mundo externo um objeto suficiente bom, tornando-o uma representação simbólica. Quando não estou com o objeto, saberei que ele logo voltará, assim poderá suportar sua ausência por sensato tempo.

Portanto, o mundo interno é compreendido por meio do inconsciente, e o mundo externo por meio da consciência, realidade.

Considerações finais:

Thânatos é conhecido como o deus da morte, é a oscilação do aparelho mental entre o consciente para o inconsciente, é aquilo que rompe o vínculo com o outro. 

Eros é Deus do amor, é o elemento interno que se pronuncia no externo, aquilo que permite ir atrás do outro.


13.5.12

OS SENTIMENTOS REPRIMIDOS DA CRIANÇA NA FASE ADULTA




A proposta do tema é uma forma de contribuição para com a Psicanálise, baseia-se nas observações que pude fazer ao longo dos conhecimentos que venho internalizando, a partir do aparato da Psicanálise, com crianças e adultos. A ideia que venho propor nesse texto é a formar de como penso os processos da analise, e não estabelecer ou idealizar qualquer forma ou método de analise.

O repúdio do adulto à sexualidade da criança se expressa na ilusão de ignorá-la, regido pelo seu grande interesse em proibir suas manifestações. Deste modo, o adulto responde com mentiras às perguntas da criança e a induz a mentir, certamente criando sérios conflitos ulteriores. 

Nestes casos, é de extrema importância que os pais tenham uma maior atenção com os processos do desenvolvimento do seu filho, estando preparados para ajudar a esclarecer as perguntas feitas por eles, sem mentir ou omitir informações sobre seu questionamento. 

Na fase adulta é esperado viver não apenas momentos de momentos, mas sim verdadeiramente conscientes da nossa existência, uma das nossas necessidades e difícil realização é de encontrar um significado em nossas vidas. 

Na vida adulta, muitos perdem o desejo de viver, perdem os sentidos, e param de tentar, porque tal significado lhes escapou. Neste contexto, o melhor é que o paciente passe por sessões de análise, sobrevindo por um processo árduo de elaborar seus conflitos da infância na fase adulta. Consiste em uma compreensão do significado da própria vida, equivale a percorrer à pontos mais obscuros dos próprios sentimentos, para que possa adquirir uma maturidade para se conscientizar e reconhecer a causa dos seus conflitos, sintomas. 

Na fase adulta será possível que ocorra a abrangência madura do significado da existência, em sua experiência com si mesmo e com o mundo. É perceptível notarmos que muitos dos pais desejam que as mentes dos filhos funcionem como as suas – como se uma compreensão madura de nós mesmos e do mundo das ideias sobre o significado da vida não tivessem que se desenvolver tão vagarosamente quanto nosso corpo e mente.

Na análise, o psicoterapeuta precisará dispor de um ambiente verdadeiro e seguro para o paciente, visto que toda análise é basicamente uma tentativa de oferecer segurança para que o paciente possa por si mesmo libertar os impulsos reprimidos.

Na composição desses sentimentos reprimidos pode se descobrir escoamentos insuficientes, sendo que o ego é cobrado intensamente, uma vez que é preciso escolher entre o que ele é – Ego - e o que ele deveria ser - ideal de ego. Neste momento o sujeito vive árdua batalha entre o ego e o superego, entretanto, o paciente terá que reconhecer mecanismos íntimos para equilibrar sua vida psíquica. 

Devemos lembrar que, os processos de cura do paciente só são possíveis se, por si mesmo, o paciente desenvolver recursos íntimos de modo que sua emoção, imaginação e intelecto trabalhem em conjunto e enriqueça mutualmente o sujeito na compreensão de sua própria existência. Segundo Bruno Bettelheim (1975-1976) - A psicanálise dos contos de fadas. 

"Nossos sentimentos positivos nos dão forças para desenvolver nossa racionalidade; só a esperança no futuro pode sustentar-nos nas adversidades com que inevitavelmente nos deparamos." 

Muito provável que esses sentimentos se estendam, ocasionando conflitos no aparelho psíquico do sujeito. Sigmund Freud (1856-1939) pai da psicanálise: 

“A Psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor”. Partindo deste referencial, o essencial para o analista é nutrir o vínculo estabelecido entre ele e o paciente, fazendo do set-terapêutico um ambiente seguro, em partes, para que o paciente venha sentir-se à vontade para expressar uma síntese dos conflitos internos e externos vivenciados por ele. 

Outra contribuição é o escritor Antoine de Saint-Exupéry (1943):

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".

No decorrer das sessões o vínculo vai sendo construído e começa a estruturar à confiança do paciente para com o analista, sendo que este um processo árduo para ambos. O papel da psicanálise é, em sua essência, conduzir o paciente ao caminho do amor. O que traz à recordação a reflexão de uma grande amiga, Yasmini de Almeida Perissotti, que cita:

É preciso ser capaz de amar para conduzir o outro ao caminho do amor, em seu texto O ideal analista.

No entanto, para conduzir o paciente à compreensão e reconhecimento dos seus sintomas – conflitos, e não somente ser um espectador contemplando o espetáculo. Entretanto, é de ampla importância oferecer um vínculo real e verdadeiro para o paciente, para que seja possível estabelecer um ambiente seguro para que a análise ocorra de forma satisfatória. 

O que nos leva a reflexão que para compreender o outro, antes de qualquer teoria, o analista necessita estar com sua análise pessoal em dia, para que possa confiar em si mesmo e proporcionar um ambiente de segurança para o seu paciente, podendo debruçar seus conflitos do dia ou semana, em cada sessão. Em algumas circunstâncias o paciente pode fazer comparações dos conflitos atuais com os vivenciados na tenra infância. 

Para que a análise seja satisfatória – real, o analista deverá estar para atenção flutuante, analisando todo o processo que o paciente se utiliza para narrar os fatos de sua vida. É por isso a importância do analista permanecer atento a cada pausa e mudança de humor da narrativa do seu paciente. Enquanto o paciente fala livremente, seguro da ausência de crítica, as ideias associativas o aproxima das recordações traumáticas da infância. 

O que pode oferecer algumas contribuições para a investigação da causa dos sintomas do paciente. A partir do ambiente suficientemente bom e seguro, o paciente sentira a seriedade, que possibilitará descobrir, reconhecer e valorizar o vínculo oferecido, que será a base para reflexão das manifestações dos seus conflitos internos, reprimidos.

As contribuições que o vínculo proporciona ao sujeito reviver com o terapeuta suas primeiras experiências objetais. Freud (1896) é imprescindível interpretar estas reações transferenciais, positivas e negativas, como repetições daquelas situações pretéritas.

O valor da análise intuitiva, acontece quando o analista comunica o paciente sobre seus descobrimentos, em momento oportuno oferecido pelo próprio tempo lógico da análise, possibilitando que o próprio paciente reconheça estes descobrimentos e os torne conscientes.

Por isso que o único presente que o paciente pode oferecer ao analista é trabalhar em prol a sua própria análise, oferecendo a si mesmo o gozo de elaboração dos seus sintomas, transformando em causa, que dará movimento a sua existência. O papel da psicanálise é, em sua essência, conduzir o paciente ao caminho do amor. Quando se é conduzido ao amor, o conhecer-se a si mesmo é consequência.



6.4.12

Fases do desenvolvimento Libidinal II

             Desenvolvendo a terceira etapa denominada, por Freud (1980) de “fase fálica”, devido à primazia das sensações prazerosas estarem anatomicamente localizada em sua região do falus genital, esta fase é marcante no desenvolvimento do ser humano, pois é nela que a criança começa a descobrir de fato o seu órgão genital, percebendo as diferenças entre menino e menina. Ao descobrir seu genital, a criança observa que nos meninos há a presença do pênis e que nas meninas há a falta dele, isso serve como evidencia de que as meninas passam a não ter o pênis por que alguém lhes cortou ou que ainda irá de crescer. Na menina isso causa um complexo de inferioridade quanto ao seu papel no meio familiar, ou seja, quem tem é ativo (tem o poder), deve ficar claro que, neste momento, não nos referimos ao ato sexual, pois a criança não tem a percepção exata de funcionalidade do pênis e da vagina, para eles isso só se entende que quem tem pénis é ativo (tem o poder) e quem não tem no caso a menina é passiva (não tem o poder).
              Essa fase caracteriza-se, segundo Freud (1980), como uma fase de grande curiosidade sexual. As crianças adoram olhar as pessoas desnudas e, também, gostam de ser vistas, gostam de manipularem seus órgãos genitais, causando prazer e, consequentemente, tendem a repetir isso várias vezes.
              É nessa fase que se desenvolve uma preferência afetiva da criança com seu genitor do sexo oposto, podendo, muitas deles, dizerem ingenuamente “quero casar com meu pai” e “minha mãe é minha namorada”, com isso tenta excluir o outro genitor da relação familiar, mesmo sabendo que há um laço afetivo com o outro e, em alguns casos, sentindo culpa por querer expulsá-lo desta relação familiar. Este triângulo amoroso, Freud (1980) denominou de complexo de Édipo, baseando-se na peça Édipo Rei do grego Sófocles. Essa fase ilustra a relação amorosa entre pais e filhos. É interessante, que Freud (1980) chama atenção para formação do ideal do ego, ou Superego (uma identificação originalmente derivadas das figuras de autoridade parentais), sugere como substituto dos desejos edípicos.       
              Segundo, a já citada, expoente da Psicanálise, Klein (1975) propõe pensarmos as questões edípicas de uma forma mais precoce e sugere que fantasias como essas habitariam a mente da criança desde a mais tenra infância. Explica isso como o auxilio da divisão do objeto (objetos parciais).
               A possibilidade de resolução desse conflito edípico de uma forma harmoniosa e, suficientemente, tranquila, no final do período fálico, desperta poderosos recursos internos para a regulação dos impulsos e suas orientações para fins construtivos de desenvolvimento.
              Ao adotarmos a abordagem de Freud (1940), teremos a seguinte linha de pensamento:
Com a fase fálica, e ao longo dela, a sexualidade da tenra infância atinge seu apogeu e aproxima-se da resolução. A partir daí, meninos e meninas têm a histórias diferentes, Ambos começaram a colocar suas atividades intelectuais a serviços de pesquisas sexuais; ambos partem da premissa da presença universal do pênis. Mas agora os caminhos dos sexos divergem.

              O complexo de Édipo pode revelar uma impaciência como um fenômeno central do período sexual da primeira fase da infância. Após isso, efetua-se sua dissolução: ele sucumbe à regressão e é seguindo pelo período de latência.
              Com esse desenvolver passa-se para fase que Freud (1980) denomina de Fase da Latência. É nesta fase que através dos estudos psicanalíticos diversos descobrimos que as sementes dos impulsos sexuais já estão presentes no recém-nascido e continuam a desenvolver-se durante algum tempo. Esta fase estende-se dos seis (6) anos até a fase da puberdade, que se inicia por volta dos nove (9) anos. Isso, entretanto, ocorre devido às experiências obtidas pela criança.
              Essa fase pode se desenvolver um pouco mais tarde dependendo das experiências vivências pela criança. Neste período a criança demonstra uma aparente diminuição do interesse sexual, o que poderia ser um resultado dos fortes impulsos genitais (instinto), que são conflitados pelas normas e regras sociais (realidade), ou seja, com a repressão das ideias incestuosas componentes do complexo de Édipo e a posterior maturação das funções do ego. A criança é inundada por sentimentos como o asco, vergonha, as exigências dos ideais estéticos e morais, são fatores que contribuem com o afastamento tanto do mundo externo quanto do aspecto sexual.       
              Ao desenvolver-se nesta fase, a criança cria forças psíquicas que impelem a função autossuficiente de bloqueio do curso do instinto sexual. Com essas forças poderão, então, buscar recursos para assistir a demanda que tem um fluxo contínuo. A energia libidinal é permanentemente gerada, não pode ser simplesmente eliminada, tampouco suporta eficientemente a repressão. Uma boa parte dela é canalizada para outras finalidades. Assim ela é direcionada ao que Freud (1980) denominou sublimação: orientada ao desenvolvimento intelectual e social da criança. Com isso a criança adquire habilidades para lidar com o mundo que a cerca, sendo que a hereditariedade e a educação são grandes colaboradores neste processo de repressão de impulsos. Com o fim dessa fase de latência, aflora-se, novamente, a fase sexual na puberdade.
              Entramos a fase que Freud (1980) denominou de fase Genital, essa fase desenvolve-se na adolescência, aproximadamente entre seus onze (11) e treze (13) anos até que venha a atingir a fase adulta. Essa fase constitui para Psicanálise, o alcance do pleno desenvolvimento adulto normal. A criança passa por esta fase de luto, ou seja, aprende a deixar de ser criança e começa a construir sua maturidade, pouco a pouco aprende a competir e descriminar seu papel social e desenvolve-se intelectual e socialmente. Compreende a capacidade de ser capaz de realizar e de amar em um sentido mais amplo.
              Nesta fase a libido tende a centralizar-se na região genital e, assim, também, ocorre uma intensificação dos impulsos, podendo, aos poucos, provocar uma regressão na organização da personalidade. Reaparecem conflitos de estágios anteriores e oportunidades de resolver esses conflitos no contexto de alcançar maturidade sexual e identidade adulta.

              É possível observar que, esta fase é voltada para a função reprodutora, portanto, esse desenvolvimento é norteado pela separação, parte final da dependência e do vinculo parental, e pelo estabelecimento de relações de objeto heterossexuais, não incestuosas e amadurecidas. Consolida-se, também, a identidade individual que resultará na integração adaptativa dentro das expectativas sociais e dos valores culturais.
              Desvios patológicos, devido ao fracasso em resolver exitosamente esse estágio do desenvolvimento, são múltiplos e complexos. As maiorias das falhas podem proceder de todo o espectro dos resíduos psicossexuais, já que a tarefa evolutiva do período adolescente faz-se em um sentido de reabertura, ao reviver e reintegrar todos esses aspectos do desenvolvimento. As resoluções anteriores que não puderam ser bem sucedidas e as fixações nas várias fases ou aspectos do desenvolvimento psicossexual produzem imperfeições patológicas na personalidade adulta, sugerindo a criação de estruturas comprometidas. Freud (1980) ao descrever essa fase e os processos obtidos até aqui ele cita:
 “Este processo nem sempre é realizado de modo perfeito. As inibições em seu desenvolvimento manifestam-se da vida sexual. Quando é assim, encontramos fixações da libido a condições de fases anteriores, cujo impulso, que é independente do objetivo sexual normal, é descrito como perversão”.  (FREUD, 1980)

              Em todo o processo da vida sexual, nunca deixaremos de vivenciar estas experiências intrínsecas de nossa primeira infância até a velhice. Isso é talvez a maior expressão de estar vivo. O surgimento da perversão, expressa para Freud:
 “As perversões são ou (a) transgressões anatômicas quanto às regiões do corpo destinadas a união sexual, ou (b) demoras nas relações intermediarias com o objeto sexual, que normalmente seriam atravessadas com rapidez a caminho do alvo sexual final”. (FREUD, 1980).

              Com isso Freud lembra o leitor à definição da perversão na Psicanálise:
Quando as circunstâncias são favoráveis, também as pessoas normais podem substituir durante um bom tempo o alvo sexual normal por uma dessas perversões, ou arranjar-lhe um lugar ao lado dele. Em nenhuma pessoa sadia falta algum acréscimo ao alvo sexual normal que se possa chamar de perverso, e essa universalidade basta, por si só, para mostrar quão imprópria é a utilização reprobatória da palavra perversão. (FREUD, 1980).

              No presente contexto, encontra-se a esfinge e os riscos no uso do termo para delinear certos diagnósticos que definem a perversão como um processo patológico. Freud (1980) postula que um critério mais seguro estaria na observação mais atenta do processo, através da qual se percebesse não a perversão ao lado do objeto como um facilitador do encontro (sexual) com o mesmo, mas, sim, quando surge como substituto deste, em prol do objetivo perverso. Fatores como a exclusividade e a fixação estariam presentes dentre suas características.
              Buscando o vértice psíquico, encontramos o equivalente a idealização do instinto, isto é, o trabalho de elaboração dos impulsos libidinais (o pensar) fora substituído pela atuação (act-out) da fantasia que remete a fases anteriores e se mostra como manifestações primitivas.
              Sentimentos como os de repugnância e vergonha partem da componente estrutural do aparelho psíquico, denominada por Freud (1980) de superego em conflito com os impulsos instintivos oriundos da parte mais primitiva chamada id. Na perversão o id triunfa neutralizando o efeito do supereu. A neurose é entendida então, como o negativo da perversão. Uma repressão mal sucedida da pulsão.  
              Ao olharmo-nos no espelho, somos apenas um percussor do rosto de nossa mãe, ou seja, somos o pensamento dela, e tudo o que contestarmos de maneira psíquica esses fatores contestados são a não aceitação (inconsciente) de sermos iguais aos nossos pais, analisamos que para um desenvolvimento propriamente dito saudável, faz se necessário que o bebê tenha um ambiente seguro para que venha a desenvolver seu aparelho psíquico com tranquilidade, sem tantas frustrações.

O pai é o ambiente da mãe, enquanto a mãe é o ambiente seguro do bebe. 

              Propúnhamos que se o bebê não se desenvolver em um ambiente, conforme descrito, provavelmente terá dificuldades em suas experiências nas demais fases da vida, podendo, então, contrair ao longo do desenvolvimento de sua vida, uma possível neurose. Em uma visão subjetiva, ao passarmos pela análise poderemos melhor analisar-nos e sempre, em cada nova análise, resgatar a capacidade de amar e de ser amado.

 Maicon José de Jesus Vijarva

Fases do desenvolvimento Libidinal


              Em seus primeiros processos na etapa da vida ao nascer, o bebê não se diferencia da mãe: há uma forte ligação entre eles, como se ambos fossem um só. A comunicação dá-se, principalmente, pela boca, ou seja, pela sucção do leite, com isso necessita estar em um ambiente propriamente seguro, pois o bebê sente-se bem, quando suas necessidades orgânicas internas estão sendo saciadas através da amamentação, momento no qual, sente-se seguro e calmo, também, quando é acariciado e aconchegado ao colo.
- Sigmund Freud denomina a essa etapa de “fase oral”

              Visto que a boca do bebê é a parte do corpo mais sensível, é nela que se dá a primazia dos sentimentos libidinais, coincidindo com suas necessidades de nutrição. Porém, não é só a boca única parte do corpo na qual ocorre essa libido: o bebê sente, também, a necessidade de ser acariciado por todo seu corpo, de sentir-se desejado pela mãe. Durante esse processo de seu primeiro ano de vida, desde que tudo ocorra bem, o bebê descobre fortuitamente seus genitais sentindo prazer ao tocá-los.
              Observamos o quanto é normal os bebês manejarem seus genitais assim que suas mães retiram-lhes a fralda, seu habito de chuparem os dedos ou a chupeta, quando já desenvolvida sua coordenação motora para isso, o desejo de morder, tudo isso é um representativo de prazer em sua zona oral.

              Já em sua segunda fase, denominada, por Freud (1980) como fase anal, observamos o grande prazer que a criança demonstrava na região anal, se desligando parcialmente de suas necessidades orais, com isso passando a se concentrar em outras atividades recém-adquiridas nesta segunda fase. 
             Ela já consegue andar e explorar melhor o ambiente em que vive. É nesta etapa que é dada muita atenção às partes genitais, pois é nessa fase onde se adquire o controle do esfincteriano, ou seja, expelir e reter suas necessidades. Essa fase é dada como essencialmente em um período de esforço de independência e separação da dependência, e do controle dos pais. A aceitação dos pais quanto àquilo que se produz. 

O objetivo é o do controle do esfíncter, como citado antes, a criança sente sem controle excessivo (retenção fecal), ou até mesmo a perda desse controle ao se sujar, ela junta as suas tentativas de autonomia e independência, e se sente sem medo ou vergonha de sua perda de controle. Revela-se um valor simbólico das suas produções anais, a criança descobre o objeto que se do seu interior que, de certa forma, faz parte dela. Assim como em outras fases, sobrevêm sentimentos básicos nessa fase que perturbarão nas etapas posteriores da vida. Freud (1980) considera a retenção das massas fecais uma excitação masturbatória da zona anal.
                 Nesta mesma fase é que se instalam, por meio da fixação, patologias como é o caso das neuroses obsessivo-compulsivo. Essas neuroses apresentam um sintoma unido à compulsão da limpeza e organização, assim como avareza, já que reter ou soltar é algo que define a aceitação, adesão e amor aos pais. Com isso a criança ama e ao mesmo tempo teme, as substancia que saem de seu corpo, onde estão sujeitas a obscurecer-se devido ás proibições dos adultos. A criança busca nas substancias como areia, água, terra, os substitutos e permitidos das fezes e urina, na simbologia utilizada por Melanie (1975), no desenvolvimento do ludo-terapia, técnica de analise do “brincar da criança”. 
              Freud (1980) batiza essa fase como sádico-anal, já que se estabelece desde a fase precursora, como, por exemplo, o surgimento dos dentes, o desvio da pulsão de morte para o externo, e, unida ao papel sexual, apresenta-se como sadismo. O ato de evacuar organicamente coincide com a experiência de expelir sentimentos desprazerosos ou desconfortáveis.  Com isso o prazer está unido ao domínio e controle de si mesmo e simultaneamente do outro, estabelecendo padrões de um funcionamento mental.                                                                                                                    
              Nessa fase já é bem provável a demonstração à polaridade sexual e o objetivo alheio, mas, ainda, falta a organização e a subordinação à função reprodutora. Acreditamos que nessa fase que se decorre o desenvolvimento de sua autonomia pessoal.
                                                                                                                       
              Particularmente passaríamos dessa fase para a fase que Freud (1980) batizaria de “fase Fálica”, porém não vou deixar de citar aqui um dos estudos de Martino (2011) que vem propor que antes da “fase Fálica”, temos a fase que ele denomina de Fase Uretral, ou seja, essa fase propõe a pensarmos no estágio transicional entre as fases, anal e fálica, esse seria o caminho da erotização que perpassa do sadismo referente à região anal para região genital. O erotismo uretral, no entanto, pressupõe ao prazer no urinar e ao prazer na retenção uretral, análoga a retenção anal.
              A perda como controle uretral, assim como uma enurese (micção noturna) é um problema constrangedor e difícil para a criança, podendo frequentemente ter um significado regressivo que reativa o processo dos conflitos anais.

4.4.12

Símbolo e sua importância nas fases do bebê



             Melanie Klein escreve, em seu livro A Importância da formação de símbolos no desenvolvimento do Ego (1930), que a capacidade de formação de símbolo é o que permite estar ligado ao ausente. O símbolo é o vinculo afetivo com o real; o que integrará e desenvolverá o ego em sua estrutura e posição topográfica na mente.
             Podemos exemplificar, como, por exemplo, quando vemos o símbolo de um time de futebol. Não vemos o time, mas, sim, somos remetidos ao que podemos obter de impressões desse time. O símbolo é o que sustenta o vinculo na impossibilidade da confirmação sensorial. É aquilo que perfaz os caminhos de nossa bagagem cultural, enquanto não podemos confirmar no real externo através dos órgãos dos sentidos. O que está na mente antes de chegar, ou depois que já foi real.                
             Segundo Martino (2011), o exercício de simbolizar é algo dinâmico, que se transforma constantemente e, dessa forma, é invariavelmente mutável enquanto símbolo. O eu é construído e constituído através de símbolos e por meio deles faz sua manutenção. Assim, somos feitos de símbolos. Importante seria ressaltar o risco presente na incapacidade de simbolização, quando é relacionada à concepção de vida.
v Símbolo, e seu conceito:

v  Objeto transicional:
                 Segundo Winnicott (1978), que introduz o conceito de fenômeno transicional referindo-se a primeira tentativa de reconhecimento e possessão de algo que existe fora do eu. O objeto transicional tenta ser um substituto para o seio, o que, em um primeiro momento, pode ser o dedo polegar, acompanhado de um pedaço de cobertor ou de lençol. Isso tudo faz parte dos fenômenos transicionais. Algo que amenize a falta do seio, sobre tudo na hora de dormir, ou quando a criança tem de ficar sozinha. O autor descreve os fenômenos transicionais como sendo uma fase muito importante no desenvolvimento da relação com o símbolo. Este objeto especial é dotado de ambivalência, por simbolizar o objeto parcial. Sendo assim, ele não é o seio real, mas, sim, ao mesmo tempo, representa-o simbolicamente.

              Em um ensaio que precede o teste de realidade, Winnicott (1978) atribui a uma perturbação no desenvolvimento emocional ou mesmo a intervenção da ausência do objeto transicional. Quando fala da mãe-ambiente propõem um lugar seguro para cultivar a ilusão e uma forma tranquila de desiludir-se. O bebê imagina um seio e a mãe coloca-o exatamente onde (e quando) o bebê está pronto para criá-lo. Registra-se a ideia que existe correspondente externo (na realidade) para sua capacidade de criar (fantasias-internas).


Maicon José de Jesus Vijarva

3.4.12

Princípios do funcionamento mental


Princípios do funcionamento mental – (1911)



 Processo primário: EU = TUDO

            No inconsciente a mente funciona através do processo primário, nesse processo o eu coincide com o tudo, ou seja, não se reconhece a existência do outro, assim sendo o princípio de prazer é o que comanda, tendo a função de afastar desconfortos, e tem como característica o funcionamento mental.



        Processo secundário: (eu) e o (tudo)

             Ao reconhecer a existência do outro, o bebê desenvolve o principio de realidade, através do qual percebe que há necessidade do ter o outro. Essa fase tem como características o fundamento pré-consciente e consciente, podendo, deste modo, estender-se para o inconsciente.                                                                                  Não se esquecendo de mencionar que o bebe só admitira a existência do outro, se puder sentir-se seguro com o ambiente proporcionado por esse outro. Segundo Freud (1980) essa fase é predominante o (amor narcísico).  Em Achados, Idéias, Problemas (1941 [1938]), Freud lança mão de dois conceitos: o ter e o ser das crianças.
‘Eu sou o objeto’, ‘ter’ é o mais tardio dos dois; após a perda do objeto, ele recai para ‘ser’. Exemplo: o seio. ‘O seio é uma parte de mim, eu sou o seio’. Só mais tarde>: ‘Eu o tenho’ – Isto é, ‘eu não sou ele’... (FREUD, 1941).