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5.1.19

O ESTILO ORIGINAL DE EXISTIR ESTÁ NA PRÁTICA EM TOLERAR A INCONSTÂNCIA DA VIDA



Desconfio da energia positiva que as pessoas buscam, em palavras, denunciar em gritos ao mundo. Não que seja de todo ruim, mas a vida é tão mais simples, caótica e indomável que se torna impossível e insuportável de sustentar essa eminente ideia utópica de que podemos controlar o que nos acontece em vida. A obviedade da vida é tão básica que chega a cegar, e acaba sendo um disparate acreditar que não podemos ter qualquer poder sobre ela. De modo simples, quando o humano coloca sua mão para modificar em sua literalidade a natureza, muitas vezes desencadeia um efeito reverso drástico à sua própria existência.

Decido a partir desse barulho que me faz dançar em movimentos reflexivos, escrever sobre a minha restrita visão e contribuir de alguma forma com um suposto saber disso que me borbulha à alma. A ideia é a metade de um todo, visto que não existe um todo-saber, mas uma ideia minúscula do que pode se tratar. O estilo original como podemos aprender nos escritos freudianos, lacaniano e essencialmente bioniano, depende da capacidade emocional de cada sujeito em suportar as adversidades da vida. Não sem um preço altíssimo a ser pago.

Acredito ser útil declarar que a repetição é única, por ser um movimento em espiral, e sem ela não somos capazes de transformar a própria vida, desobstruindo o caminho para que sejamos cada vez mais criativos na experiência que se desenvolve à nossa frente. Sempre falta alguma experiência, alguns cafés e muita loucura esquizofrênica para suportar a vida e transformá-la. Essa falta é constitucional, e se faz necessária para que o impossível seja possível de colorir.

Muitas vezes é próprio que se beba o café gelado que deixou esfriar. Não raro, a vida oferece uma experiência repetidas vezes, mas com um gosto não tão mais agradável, que, no entanto, traz consigo uma visão mais amadurecida de nós mesmos. Não nascemos com um manual de instrução. É preciso arregaçar as mangas, e os punhos para quem não tenha mangas, para viver a própria experiência e dar corpo ao próprio estilo original. Para isso é fundamental que cada sujeito em vida, seja capaz de acolher sua própria dor, reconhecendo as próprias ferramentas que possuem para então lançar-se em vida e apostar tudo em si mesmo.

Além dessa constância, é importante que sejamos tolerantes e amáveis com as próprias fraquezas, inseguranças e dificuldades, pois ninguém nasce pronto para aprender a suportar as dificuldades da vida. Não será a primeira e última vez que cada um de nós, humanos, nos sentiremos como um E.T frente aos dissabores que surgem, quando se arrisca em apostar tudo e até mesmo o que não se tem em si mesmo e nos próprios sonhos.

A persistência em trabalhar para desobstruir o caminho, traz uma fluidez para que a criatividade em fazer melhor com a experiência ocorra de forma natural, que se torna impossível de descrever em palavras, por falta de vocabulário. Somente a prática e a tolerância com as inconstâncias da vida farão com que cada sujeito em vida seja capaz de reconhecer e transformar o seu próprio estilo de existir.

É atravessado pela capacidade de ser amável com a própria dor e mazelas que se torna possível intuir e reconhecer a profundeza da experiência de vida dos outros que compartilham a vida conosco. O amor é a experiência que nos leva a uma vida possível de ser vivida.

Grande abraço carinho,
Maicon Vijarva 

15.11.18

A ANÁLISE CONDENA O SER À SINGULARIDADE


A experiência de estar em análise é compreender sem julgamentos, o quanto é difícil juntar as peças do quebra-cabeça de uma mente inundada de desamparo, horrores e assombros de culpa e remorso por ter falhado consigo mesmo e com o outro, e mesmo assim continuar a sustentar essa imensidão pagando o preço da singularidade, do próprio estilo.

Nesse contexto é fácil de entender a razão de muitos procurarem comprimir a dor de sua existência em medicamentos que regulem o que o constitui diferente no mundo: dor, sofrimento, ansiedade, euforia e agitação. A incapacidade do a-colhimento do próprio estilo do sintoma é um prato cheio para que o outro faça o que quiser com nossa mente e corpo.

Insistir em dizer que o outro não tem poder sobre nosso desenvolvimento é negar a própria castração. Dependemos do outro para existir, mas até certa medida. Qual o tamanho dessa medida? Busque no trabalho de análise. A única certeza é que vai ter que trabalhar muito para compreender o que lhe causa vida.

Todos somos castrados simbolicamente, e saber disso nos liberta da incompetência em demandar algo a alguém ou acatar uma demanda sem questionamento. A ignorância da própria ilusão é prazerosa por emburrecer e desresponsabilizar o sujeito frente a sua existência. A tragédia do ser humano é acreditar que seja possível tamponar o vazio e a falta que o constitui sujeito.

Abraços, 
Maicon Vijarva