quinta-feira, 8 de junho de 2017

Reflexão do sujeito do desejo.

Ah, esse tom de voz eu reconheço. É uma voz que enlouquece, obrigando-me a ser ideal. A versão minha sem defeitos, completa e robusta aos olhos do outro. Mas são forças que lutam e que tentam espaço num corpo em transformação, em metástase com o universo. Não há tempo para o processo depressivo, mas há tempo para o estado melancólico. 

Em altos e baixos, constrói-se escolhas que esbarram em caminhos, em instantes e amargas fissuras na alma. Marcas do corpo não importam tanto quanto as da alma que ardem, e que não podem ser apagas. Só amenizadas com o pensar, a reflexão. Mas quem é lúcido o suficiente para tal coragem? Audaciosos não arriscariam sua pele nessa empreitada. 

O investimento em nós mesmos demanda reconhecimento, e reconhecer é entrar em contato com o que ali já existe e busca existência no consciente. É um misturar de recalque com medo, com culpa, com muitos outros sintomas que vão estruturando o nosso ser. Às vezes, é difícil compreender como o ego sobrevive a tantos ataques do Id e Superego. 

Freud, meu caro, qual a razão do pensar? Não estaria o sujeito livre do seu tormento à luz da sua ignorância? A maturidade não traz benefícios, mas afirmamos a todo o momento sermos maduros. No entanto, somos seres tão doentes dos nervos, que não temos paciência na escuta do outro, por sermos incapazes de escutar a nossa própria voz. 


Queremos ser visto, reconhecidos e desejados a todo custo. E se for necessário, damos a nossa vida por um olhar atento do outro. O desejo em ser desejado. A luta de destruir-se em prol ao desejo do desejo do outro.

Maicon Vijarva - Psicólogo Clínico

(17) 98151-6943

maiconvijarva@yahoo.com.br

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