sábado, 11 de julho de 2015

A LIBIDO: A FONTE DA SATISFAÇÃO DO INCONSCIENTE


O humano em toda sua história viveu a partir do corpo e para além dele. Digamos que seja uma forma de sobrevivência, satisfação corpo e mente.


Quando pensamos a Libido, logo nos veem à mente, o que retratava Freud em sua época, não tão distante.  Nos primórdios do seu contato com o mundo, o bebê é apenas uma massa corporal aventurar-se a sobreviver. A iniciação lúdica da libido acontece quando o bebê aproxima-se do Outro – a mãe é o seu primeiro contato –, para amamentação, ou seja, a nutrição. O que de primeiro momento era a satisfação fisiológica – mamar, o prazer oral –, sobrevém agora a ser a manifestação psicológica –, o contato com a mãe, o prazer afetuoso e misterioso.

Para o bebê reconhecer que existe outro além de si mesmo, é uma tarefa totalmente árdua. Em contrapartida, percebe que a única fonte de nutriente é esse outro desconhecido. Então inicia, no processo secundário do desenvolvimento, o esforço de agradar o outro, tê-lo para si, que é conhecido em Psicanálise, como Narcisismo Primário. Então o inconsciente do bebê, de forma simbólica, vai criando uma história para o consciente: “Eu posso até ter fé que existe outro acolá de mim, mas ele só vive se for meu espelho, tenho que me refletir nesse outro”. Ou seja, a mãe, esse outro desconhecido para o bebê, só pode deixar que o inconsciente do bebê fantasiasse no consciente, se houver a conexão do olhar, nos primeiros contatos.

A ausência do olhar da mãe, no primeiro contato com o bebê, em hipótese, pode ser um sentimento irreparável para o bebê. O olhar é importante e igualmente necessário, por ser o primeiro contato que o bebê terá por si mesmo – o seu próprio reflexo. Deste contato, nasce o primeiro sentimento de ser desejado, o narcisismo, o desejo por si mesmo. Essa reflexão nos leva à tragédia grega de Narciso, que olha para o lago e se apaixona por si mesmo. 

“É complexo para o indivíduo que não teve esse primeiro contato, o de ser desejado a partir do reflexo da mãe, acreditar que seus pais e outros seres humanos poderão lhe desejar.”

Entretanto, o bebê não ficará preso como narciso, em sua própria imagem, visto que a mãe será sua salvadora, possibilitando-o dar atenção e reconhecendo que há outros além dele.A importância do olhar materno não é um conteúdo novo, porém, é sempre importante ser lembrado, uma vez que, é ele que permitirá que o bebê tenha o Narcisismo Primário. A partir da mãe, o bebê aprenderá a desejar a si mesmo – em outras palavras gostar de si mesmo –, saber o que tem de bom ao decorrer de sua vida. 

Caso ocorra o contrário, o bebê corre o risco de ter o Narcisismo Secundário, patológico. Essa patologia irá gerar uma obsessão em ser desejado a todo custo, para suprir o que não teve no berço materno. Quando não pode desejar e aceitar a si mesmo, jamais será capaz de conseguir enxergar e aceitar o outro, em seus relacionamentos.

Uma reflexão pertinente para esse parágrafo é a frase de Albert Kami:

“O ser humano é a única criatura que não aceita o que é”.

Em consonância com tudo mencionado até aqui, vale pensar também sobre o objeto – escolhido –, que para a psicanálise é o alvo do desejo – é “aquilo” que está no mundo externo acolá do eu, que para o bebê este objeto nada mais é que a mãe. Assim temos o sujeito – aquele que deseja e que tem a capacidade de escolher.

Portanto, a libido é extremamente importante para o contato humano. E, em sua essência, faz-se necessária quando está em colóquio, mesmo que de forma limitada, com o inconsciente. Já dizia Jung, ele mesmo só pode ser tornar um homem realizado, não por suas conquistar pela reflexão, mas por ter o ser inconsciente realizado.



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