terça-feira, 21 de julho de 2015

Ensaio sobre o Conceito de Libido



Antes de aventurar-me ao tema proposto, gostaria de alertá-los ao cuidado com a formação de preconceitos e pressuposições acerca do ser humano e suas atitudes biológicas e psíquicas. Eu mesmo já o fiz, mas hoje procuro ter o maior cuidado em não me esbarrar novamente no universo limitado do preconceito.

O humano está em completa transformação, em movimento. Suas necessidades e preocupações mudam de acordo com sua relação com o outro. Ressalto. Não poderia deixar de fazê-lo, uma vez que, nenhum ser humano evolui sem a experiência com o Outro.

Sigmund Freud (1856-1939) foi e é um homem brilhante, porém, muito censurado. Muitos simbolizaram a imagem de Freud ao Sexo. Um ser pervertido, que acreditava que tudo girava em torno do sexo.  Em sua época e, quando refletimos com mais atenção, até hoje usar a palavra “libido” traz um desconforto para a sociedade.

Aos leigos, a libido é a necessidade física – carnal – de um sujeito ter a experiência com o outro. Entretanto, não significa que seja necessário o ato sexual, com pessoas desnudas, para que haja o sexo em si. Não. Freud acreditava que o prazer sexual ocorre em junção com o afeto. Isso mesmo. Por que o sexo e a afetividade não podem coexistir numa mesma sintonia? Podem.  Como estava dizendo, Freud, quando falava sobre libido, queria ensinar que o toque é um ato sexual. É o que deixa as pessoas inibidas, abertas.

Você mesmo nunca sentiu uma vergonha, quando alguém lhe abraça, sem que esperasse por isso? A vibração deste toque, abraço inesperado, que Freud associava ao sexo. Não existe sexo sem que haja toque, como não há toque que não seja associado ao sexo. Lembrando que, sexo não é necessariamente o contato com as partes genitais. É mais que isso, podemos dizer que sexo é um contato essencial na comunicação e experiência com o outro.

Por muitos anos, o sexo foi um tabu na evolução do homem, e continua sendo, mas isso pode mudar. Quase sempre o sexo foi associado ao pecado, o ato impuro. Contudo, o que seria de nós se não houvesse o sexo, a libido? Talvez, se pensarmos a individualidade contemporânea, chegaríamos ao ponto interessante. A falta de sexo – o contato carnal – seja ele um aperto de mão, um abraço, um toque no ombro, deixassem as pessoas mais abertas e mais felizes em permitir-se em ser o que são sem medo de julgamentos. Quem sabe nem houvesse tempo para isso.

Há duas forças que regem o psíquico do ser humano. A Pulsão de Vida e a Pulsão de Morte. A forma lúdica que Freud se utilizava para descrever sua teoria é o mais brilhante. Para a Pulsão de Vida, utilizava a figura de Cupido-Eros, que na mitologia grega aproximava os indivíduos. A ligação de um sujeito com outro é mediada por Eros. Há uma aproximação sexual, sem o contato com o órgão genital. Neste momento só existe o prazer sexo-afetivo: toque.

Não podemos deixar de levar em conta, que o prazer biológico, o ato em que envolve o sexo carnal, o genital, aconteça. Mas, o Eros será o instrumento que busca ligar o outro, num plano mais afetuoso, sem sexo o prazer do órgão genital. É uma busca do eu por alguém em que possa se ligar, construir.

EROS -> PULSÃO DE VIDA -> LIGAÇÃO


Já a Pulsão de Morte, utilizado por Freud pela figura de THANATOS, que na mitologia tem a função de desligamento. Podemos cogitar também, como instinto de autopreservação.

Caso a busca do sujeito não seja bem sucedida, o que irá reger a pulsão é o Thânatos. O mais interessante de toda tragédia grega é que nenhum dos personagens vive sem a existência do outro. O mesmo ocorre entre Thânatos e Eros, um não existe sem o outro. Quando Eros busca a ligação, mas é rejeitado. Ocorre a experiência ruim, onde surge o Estado de Nirvana. Mais um termo utilizado por Freud, entretanto, sem ligação com o utilizado pelos budistas.

O Nirvana do budismo retrata a essência da fala: conheci e experimentei o mundo e agora estou de volta e desapegado de tudo. Em contrapartida, digo que isso seja para poucos privilegiados.

O Nirvana segundo Freud é entrar no estado de estar retraído, quieto. O Eros não conseguiu a experiência idealizada, sendo censurado. Assim, volto para si mesmo, como um caracol, numa reflexão de seu mundo interno. Como nos ensinou Sócrates: conhecer-te a ti mesmo. Eros não tendo sucesso em sua investida dá vazão à Thânatos, pensamento autodestrutivo, bem conhecido na atualidade como depressão.

Tanto a pulsão de morte quanto a pulsão de vida, são vias de mão dupla. Ambas trabalham para suprir as necessidades e em defesa do Eu. Apesar de tudo, a pulsão de morte não é ruim, uma vez que trabalha na defesa do Eu, porém, tudo irá depender de como essa pulsão é administrada pelo Eu.

Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza se faz melhor o coração.
Eclesiastes 7.3


PULSÃO DE MORTE –> THÂNATOS -> ROMPIMENTO

Em resumo, o sexo é regido por Thânatos e Eros, numa tentativa de aproximar os indivíduos, de deixa-los em harmonia. Mas tudo depende de como são feitas as dosagens. O sexo como vimos, não está localizado na genital, mas sim no toque, na afetividade que só pode ocorrer quando sentimos, tocamos. 

Para que ocorra a harmonia de tudo que refletimos até aqui, é necessário que haja um diálogo sincero e sensato entre o Id (parte primitiva, selvagem do Eu), o Ego (a essência do Eu) e o SuperEgo (o que o Eu almeja ser e/ou deveria ser). Que é a tríade psíquica, para que nossa comunicação com o externo seja saudável.

O eu verdadeiro - Eros cria a ilusão, Thânatos tenta proteger dela. Eros é a favor do outro. Thânatos a favor do eu. Thânatos é o choque com o real.

D. Winnicott

  

sábado, 11 de julho de 2015

A LIBIDO: A FONTE DA SATISFAÇÃO DO INCONSCIENTE


O humano em toda sua história viveu a partir do corpo e para além dele. Digamos que seja uma forma de sobrevivência, satisfação corpo e mente.


Quando pensamos a Libido, logo nos veem à mente, o que retratava Freud em sua época, não tão distante.  Nos primórdios do seu contato com o mundo, o bebê é apenas uma massa corporal aventurar-se a sobreviver. A iniciação lúdica da libido acontece quando o bebê aproxima-se do Outro – a mãe é o seu primeiro contato –, para amamentação, ou seja, a nutrição. O que de primeiro momento era a satisfação fisiológica – mamar, o prazer oral –, sobrevém agora a ser a manifestação psicológica –, o contato com a mãe, o prazer afetuoso e misterioso.

Para o bebê reconhecer que existe outro além de si mesmo, é uma tarefa totalmente árdua. Em contrapartida, percebe que a única fonte de nutriente é esse outro desconhecido. Então inicia, no processo secundário do desenvolvimento, o esforço de agradar o outro, tê-lo para si, que é conhecido em Psicanálise, como Narcisismo Primário. Então o inconsciente do bebê, de forma simbólica, vai criando uma história para o consciente: “Eu posso até ter fé que existe outro acolá de mim, mas ele só vive se for meu espelho, tenho que me refletir nesse outro”. Ou seja, a mãe, esse outro desconhecido para o bebê, só pode deixar que o inconsciente do bebê fantasiasse no consciente, se houver a conexão do olhar, nos primeiros contatos.

A ausência do olhar da mãe, no primeiro contato com o bebê, em hipótese, pode ser um sentimento irreparável para o bebê. O olhar é importante e igualmente necessário, por ser o primeiro contato que o bebê terá por si mesmo – o seu próprio reflexo. Deste contato, nasce o primeiro sentimento de ser desejado, o narcisismo, o desejo por si mesmo. Essa reflexão nos leva à tragédia grega de Narciso, que olha para o lago e se apaixona por si mesmo. 

“É complexo para o indivíduo que não teve esse primeiro contato, o de ser desejado a partir do reflexo da mãe, acreditar que seus pais e outros seres humanos poderão lhe desejar.”

Entretanto, o bebê não ficará preso como narciso, em sua própria imagem, visto que a mãe será sua salvadora, possibilitando-o dar atenção e reconhecendo que há outros além dele.A importância do olhar materno não é um conteúdo novo, porém, é sempre importante ser lembrado, uma vez que, é ele que permitirá que o bebê tenha o Narcisismo Primário. A partir da mãe, o bebê aprenderá a desejar a si mesmo – em outras palavras gostar de si mesmo –, saber o que tem de bom ao decorrer de sua vida. 

Caso ocorra o contrário, o bebê corre o risco de ter o Narcisismo Secundário, patológico. Essa patologia irá gerar uma obsessão em ser desejado a todo custo, para suprir o que não teve no berço materno. Quando não pode desejar e aceitar a si mesmo, jamais será capaz de conseguir enxergar e aceitar o outro, em seus relacionamentos.

Uma reflexão pertinente para esse parágrafo é a frase de Albert Kami:

“O ser humano é a única criatura que não aceita o que é”.

Em consonância com tudo mencionado até aqui, vale pensar também sobre o objeto – escolhido –, que para a psicanálise é o alvo do desejo – é “aquilo” que está no mundo externo acolá do eu, que para o bebê este objeto nada mais é que a mãe. Assim temos o sujeito – aquele que deseja e que tem a capacidade de escolher.

Portanto, a libido é extremamente importante para o contato humano. E, em sua essência, faz-se necessária quando está em colóquio, mesmo que de forma limitada, com o inconsciente. Já dizia Jung, ele mesmo só pode ser tornar um homem realizado, não por suas conquistar pela reflexão, mas por ter o ser inconsciente realizado.



quarta-feira, 8 de julho de 2015

A PULSÃO DE MORTE E A FASE ANAL: UM COLÓQUIO COM A PSICANÁLISE

Na busca de aprender junto com o ser humano, numa via de mão dupla, sobre seu processo de desenvolvimento, a psicanálise vem se modernizando. Em contrapartida, como muitos já mencionaram, a psicanálise perdeu sua essência e nunca perderá.
Embora seja mais audaciosa em sua terapêutica contemporânea, ela mantém seus princípios bem presentes. Os conceitos abordados até o momento no blog Acura de Freud, dança em sintonia com todas as fases de desenvolvimento citados por Freud. No intuito de deixar mais claro alguns pontos desse mundo psicanalítico, apresento mais um ensaio para compreensão dessas fases.

É importante lembrarmos que, a área erógena na primeira fase estimula o exercício da boca, ou seja, todo prazer se encontra no contato oral, já o contato sexual mais acentuado, ocorre na segunda fase, quando o estimulo se encontra no campo genital. Quando uma fase sobrepõe à outra, pode ocasionar problemas futuros. Por quê? Para psicanálise, cada fase precisa ser vivida pela criança de forma completa, para que consiga elaborá-la e então seguir para próxima fase sem resíduos recalcados, que são armazenados no inconsciente. Visto que, o que um dia foi libido, hoje se torna pensamento, sendo projetado para todas as demais fases de sua vida.

Não é à toa que, para o bebê, o desmame é uma fase extremamente árdua. O que um dia para criança era a busca por saciar a forme, hoje se torna a busca por saciar o amor – pensamento nobre. O desmame é uma fase muito importante, uma vez que, em todas as demais fases iremos passar pelo desmame, buscando adquirir a independência. Quando mais favorável o ambiente for elaboração do desmame, mais rapidamente o bebê se tornará independente. 

A criança começa a aprender que algumas atitudes são proibidas, porque até então nada era proibido. Por exemplo, ela não pode mais fazer cocô nas calças, já que está grandinha. A parte física entra em sintonia com a vontade, ou seja, o controle – psíquico. Aprende a soltar e a reter. Há momentos em que a criança percebe que acontece alguma coisa no ambiente – mãe, quando ela faz o cocô nas calças. É então que ela começa a entender que precisa aprender ir ao banheiro, antes de fazer nas calças.

Se já era difícil vivenciar a fase oral, agora na fase anal fica um pouco mais, já que inicia a busca por mostrar que o cocô precisa ser feito exclusivamente na privada e não em outro lugar. Essa fase é uma vivencia constrangedora para criança, já que precisa de um adulto espere com ela até o cocô sair, ensinando-a a se limpar após a criação de sua obra de arte – o cocô. A psicanálise compreende que na fase anal, os pais precisam criar um momento lúdico, para que a criança se sinta segura de tudo que poderá acontecer, sem medo de errar.

Como já citado anteriormente, o cocô é a primeira produção da criança e dependendo de como o mundo receber essa produção, é como ela vai aprender a lidar com todas as demais produções de sua vida. Não à toa, que Freud já nos ensinava:

O cocô e o dinheiro são a mesma coisa. São nossas produções.

Sendo uma fase muito delicada para criança, qualquer descuido pode causar vários complexos na vida adulta, visto que, toda vergonha que sentimos hoje é fruto da fase anal. Pode não parecer, mas para criança é humilhante esperar a mãe chegar para limpar o bumbum sujo. É o momento em que a mãe precisa ser suficientemente boa, caso ela seja ríspida e expor “Nossa, que coisa suja, nojento e fedido”. Certamente, produzirá um incomoda maior para criança, que criará hábitos obsessivos, como por exemplo, o famoso TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo, mania de limpeza entre outros. Em suma, a criança se sente suja e se sentirá assim por toda vida adulta, tentando reparar – inconscientemente – o trauma vivido na infância. 

Na Fase Anal é o período em que se projeta a Pulsão de Morte, por isso Freud titulou de Fase Anal Sádica, por ser o momento de expulsão. É por isso que, na clínica, existem e irão sempre existir adultos que vão querer que o analista/psicoterapeuta limpe a cagada feita no final de semana. O analista assumirá o papel da mãe, que de forma lúdica e simbólica, irá junto com o paciente limpar o cocô feito por ele, ajudando-o a elaborar essa fase dolorosa da infância – reflexo do que a mãe não fez por ele, quando criança. Lembrando que, o analista, precisará ser um ambiente suficientemente bom, para que o processo de elaboração do paciente seja vivido de forma tranquila, sem medo de errar mais uma vez.


O processo de expulsar e/ou reter está literalmente unido à satisfação da libido. A fase anal é de natureza narcisista, ou seja, o júbilo encontra-se comigo mesmo. Em equivalência, é importantíssimo que o Outro – pais – estejam atentos com essa fase, já que a criança pode se prender no prazer de si mesma, deixando de se importar com a posição do Outro em sua vida. 

Além disso, não existe distinção de sexo – masculino e feminino – nesta fase. O que a criança percebe – que é totalmente o contrário –, é o conceito de ativo e o passivo. Quando a criança percebe seu pênis, imagina que a mãe também tem e adentra em conflito, quando ela entende que estava enganada. No simbolismo da criança, o que prevalece na fase anal é o sujeito dominador – ativo e o dominado – passivo.

Como aprendemos no texto anterior A Psicanálise e a Fase Uretral entre a Fase Anal e a Fase Fálica, há um desdobramento, conhecido como um período onde encontramos características que não jazem em nenhuma destas Fases, que podemos titular de Fase Uretral, que consistir em reter e/ou expelir o xixi. São características igualmente vivenciadas na Fase Anal, porém a atenção é focalizada no urinar.

terça-feira, 7 de julho de 2015

A PSICANÁLISE E A FASE URETRAL



A fase uretral é um dos estágios importantes dentro do contexto psicanalítico. É uma fase considerada em seu primeiro estágio, como sendo ainda uma característica sádica, que gera o sentimento de provocar algo no outro. A criança usa deste mecanismo, para criar um meio para poder se comunicar – aprende que soltar ou prender o xixi, é uma forma de provocar alguma reação no outro – mesmo que seja uma habilidade primitiva, é com ela que a criança começa a se comunicar.

Os pais precisam estar atentos à comunicação não verbal, uma vez que, é a fase em que a área erógena que se encontra nas genitais, sendo deslocada de maneira bem primitiva para outras partes do corpo. A uretra assume a parte genital, no entanto, não bem estabelecida pela criança. Faz-se necessário lembrar que, na fase Anal, quase todos os contatos com a mãe são proibidos, devido ao desmame, onde a criança procura outros modelos narcisistas para satisfazer sua libido.

Sendo uma fase delicada do desenvolvimento, é prolixo que a criança se preocupe com o outro na busca do prazer, para que não desenvolva uma perversão. Mesmo que para menina, a descoberta da genital feminina seja fantástica, também e misteriosa, quando se descobre a genital masculina. É o momento em que ela volta toda sua atenção para o genital masculino. A criança entra em conflito, por ser diferente daqueles que tem àquilo que é protuberante, o Fálico e os que não têm – os castrados.

A imaginação começa a dar vazão ao bom e ruim, a classificação de o ser dominador e o ser dominado. Aquele que tem é bom, e o que não tem, não é bom. Não é simples explicar para uma criança que a menina tem, mas que o dela é diferente. Em contrapartida, o menino entra em um medo intenso de perder seu objeto supremo, a castração do objetivo fálico. O menino pensa: “Ou o dela vai crescer ainda, ou cortaram!”.

Então é que entramos em uma questão importantíssima. Por que a criança quer ter o genital masculino? Simplesmente por deduzir que, o que tem o objeto fálico é mais amado do que não tem. Mas também não quer ter, porque conclui que o que tinha foi castrado e não quer sofrer a dor de ser também castrado.

Quando a Psicologia pensa sobre essas reflexões, tem como objetivo cogitar que a mãe precisa ser um ambiente suficientemente bom, um amor incondicional, para que a criança possa elaborar de forma adequada essa situação nova e conflituosa. Além dessa situação, a criança também irá passar pelo sentimento de culpa pela masturbação – momento de satisfação narcisista da libido –, dependendo da forma como isso foi apresentado pelos pais, certo ou errado.

Segundo Sigmund Freud, o Complexo de Édipo constata-se quando a criança atinge o período sexual fálico logo na segunda infância e dá-se então conta da diferença de sexos, tendendo a atar-se a sua atenção libidinosa nas pessoas do sexo oposto no ambiente familiar. O conceito foi também descrito por Carl Gustav Jung e recebeu a designação de complexo, que desenvolveu semelhantemente o conceito de complexo de Eletra. Não irei discorrer sobre tais complexos, visto que, penso em abordar tal tema com mais atenção em outro momento. Sendo a situação em que a criança vê os pais tendo relações amorosas, não é capaz ainda de diferenciar a relação de amor e violência, para ela é um campo misterioso.

A fase da latência é o momento em que a criança vê tantas coisas relacionadas ao sexo, que desiste em pensar nisso, direcionando suas forças para outras coisas. O mundo perde o encantamento. É o momento em que a criança pensa: ”Não quero mais ser agradável para o outro, dá muito trabalho. Não estou nem aí para ele, eu me basto”.

A criança entra em um estado de “Sublimação” – grande contribuição de Jacques Lacan, para Psicanálise, em que BRABANT, Georges Philippe. Chaves da psicanálise. Págs. 54 e 55 discorre bem:

A sublimação é um processo de desvio da energia libidinal de suas metas originais para a investida em realizações culturais, ou em realizações individuais úteis ao grupo social. A sublimação é o meio em que a criança encontra para de reconciliar as exigências sexuais com as da cultura, por conseguinte, reconciliá-las com a sociedade, ou reconciliar a sociedade com elas. E apesar de a maioria dos indivíduos não possuírem igual aptidão para a sublimação, pois, é uma solução restrita a poucos, tal destino pulsional propicia uma solução menos infeliz para o conflito cultural da sexualidade.
Em suma, aquilo que era podre, agora se torna nobre. A criança transforma àquilo que era mais primitivo dentro dela em um bem comum. A atenção não é mais para o pai e para a mãe, mas para o meio em que vive.