segunda-feira, 6 de abril de 2015

A Escuta Terapêutica: Acolhimento Individual e em Grupo

“... Um egoísmo forte constitui uma proteção contra o adoecer, mas, num último recurso, devemos começar a amar a fim de não adoecermos, e estamos destinados a cair doentes se, em conseqüência de frustrações, formos incapazes de amar...” (FREUD, 1914, p. 92).

Quando nos propomos a pensar, certamente, faz-se necessário mais de uma pessoa.Visto que, um só indivíduo dificilmente conseguiria pensar, no máximo imagina. Em grupos terapêuticos essa perspectiva é muito enriquecedora. Mas antes de todo desdobramento do grupo-terapêutico, o atendimento individual, que podemos pensar como “Acolhimento individual”, é uma proposta oferecida como meio para conhecer a história do paciente, saindo do pr(é)conceitos diante da fala do paciente, no qual é um veneno para pesquisa terapêutica, que relata um diagnóstico desprovido de contribuição e tratamento.

O acolhimento individual é uma intervenção interessante, quando pensamos como uma forma de captar por meio da escuta, o universo do paciente. Com um colóquio bem estruturado, é possível coletar ricas informações históricas do paciente, trazendo a superfície questões de vínculo: se existe uma influência mútua entre o indivíduo, seus familiares e a sociedade. Esse primeiro contato, sendo suficientemente bom, tanto para o familiar quanto para o indivíduo analisado, pode enriquecer ainda mais na elaboração da autonomia do pensar do deste último, na reflexão sobre os amores e dissabores da sua vida. Deste modo é possível analisar sua fala e correlacioná-la aos aspectos clínicos que o levaram à instituição/clínica.

O sofrimento psíquico e, em outros casos, físico, é muito presente na clínica/hospital psiquiátrico. No entanto, esse quadro não limita os profissionais, uma vez que o grupo, além do acolhimento individual, intervém nesse sofrimento, levando os pacientes a interagir, buscando meios subjetivos e sociais, para compreensão do seu tratamento, impulsionando a elaboração da sua autonomia. Há casos crônicos, que levam a internações consecutivas do paciente, mas até mesmo este paciente crônico é humanizado, encorajando-o a criar meios independentes e estimulando a estruturação do seu ego; levando-o a uma vida psíquica cada vez mais saudável. Essa estimulação ocorre quando é acolhido pelo grupo-terapêutico.


Em consonância, não deixemos de levar em conta que, em todo tratamento, a familiar além da equipe multiprofissional é de suma importância, para que essa humanização ocorra de forma saudável, para atender a harmonia dessa família, que necessita proporcionar ao seu familiar adoecido, um tratamento satisfatório, cuidando para que o paciente cumpra com todas as exigências do tratamento, para que seja eficaz.

Na teoria, as palavras são mais fáceis de ser imaginada, é um sistema fantástico, bem como o SUS e outros projetos de apoio à sociedade na área da saúde, mas não deixemos de levar em conta que na prática é preciso que todos inseridos sejam cooperativos, para que o sistema da saúde ocorra de forma satisfatória, claro que podem ocorrer eventualidades, mas é necessário sermos “pacientes” para humanizar todas as falhas que ocorrerem. Contudo, os psicólogos junto com a equipe multiprofissional podem oferecer ao paciente, meios para que seu sofrimento durante e depois do tratamento, sejam amenizados, com informações de sua doença e tratamento.

É evidente que, dentro dos grupos desenvolvidos em uma Instituição, os estímulos do meio são múltiplos e levam o indivíduo ao contato com outros indivíduos no mundo externo, que é sugerido à ele, devido ao meio social vivido, considerando eu que é cada vez mais difícil “ser” individual dentro do grupo-terapêutico, sendo assim, um processo saudável para todos os envolvidos. Mesmo que seja sabido, que o desenvolvimento cognitivo do ser humano implica em suas experiências e entendimentos internos, isso é um fato – as exigências do meio.

Além disso, a relação entre o psicólogo, a equipe multiprofissional e o paciente dá-se a partir da entrada do indivíduo na instituição. Porém, é no calor do desenvolvimento das atividades terapêuticas, que o indivíduo que antes se encontrava isolado de outras pessoas e, estando em um momento difícil na sua vida, começará a se sentir valorizado pelos outros pacientes, através do acolhimento e participação nos grupos terapêuticos.

A partir de uma das várias observações dos grupos terapêuticos, foi possível concluir que o grupo observado “Conta Outra” proporcionou um ambiente favorável para as manifestações dos conteúdos encobertos. O grupo tem ajudado os pacientes a expressarem suas histórias de vida, por meio da escrita, e, em outras, por meio da fala, como uma forma de estimular a busca do conhecimento de si mesmo. Com isso se percebe que os pacientes estando num ambiente em que recebem atenção, sentindo-se acolhidos, são aguçados a sensibilidade na escuta do integrantes do grupo, estando mais motivados a executar as atividades, como também, falar sobre as suas vivencias e da sua família, ajuda-os a desenvolver a capacidade de autonomia, com tendência a mostrar uma capacidade maior de interação junto ao grupo.

Fica evidente a importância do papel do psicólogo e da equipe multiprofissional trabalhando em seus projetos em comum, mediando relações pessoais dos integrantes do grupo. Por conseguinte, tendo em vista as vivências dessa pesquisa, foi possível concluir a importância da escrita como estímulo a descoberta que cada um pode produzir, quando encontram como elementos positivos, a empatia, o acolhimento e a compreensão no interior das atividades terapêuticas.

Assim, concluo este texto com a seguinte frase:


"Só o amor pode curar as feridas da Alma".