domingo, 3 de junho de 2012

O homem dos ratos


Sigmund Freud analisou um jovem cujo trabalho foi publicado como - Homem dos Ratos (1909) - Vol. X da Coleção das Obras Completas de Freud da Editora Imago. Freud procurou formular, a partir do estudo do caso, uma explicação sobre a neurose obsessivo-compulsiva à luz da teoria psicossexual do desenvolvimento. Para tanto, atingiu uma descrição rica e precisa de rituais e obsessões que seu paciente apresentava, buscando interpretá-los à luz de sua teoria. Tal concepção prevaleceu até pouco tempo atrás, quando novos fatos vieram amadurecer essas concepções.

No transcursar da narrativa do filme à Psicanálise se mostra ser surpreendente, em várias ocasiões vemos o triângulo edípico, é notável na expressão do paciente, que ele ainda não se desprendeu- fase uterina – de sua mãe, sendo extremamente apaixonado por ela, tornando-a única mulher de sua vida.  O temor que o paciente vivencia se mostravam evidentes na analise de Freud. Observamos que o paciente sofria de temores de que algo acontecesse a duas pessoas de quem mais gostava - seu pai e uma jovem a quem admirava. 

Assim, pois, tinha consciência de impulsos compulsivos - tais como, por exemplo, de cortar sua garganta com uma navalha -, produzindo ulteriormente proibições, muitas vezes vinculados com coisas triviais, assim como no dia em que a jovem de quem gostava ia partir, e ele bateu com o pé numa pedra da estrada em que caminhava, e foi obrigado a afastá-la do caminho, pondo-a a beira da estrada, logo após lhe veio à ideia de que o automóvel dela iria passar e poderia acidentar-se nessa pedra.

Apesar disso, minutos depois pensou que era um equívoco, e foi obrigado a voltar e recolocar a pedra à sua posição original.  Sobre visão psicanalítica, o temer do paciente é um desejo reprimido – o medo é o filho do desejo – já que o paciente deseja a mãe e odeia seu pai, por ter sido rígido e severo por toda sua tenra infância, apresentando pensamentos perversos de origem de sua sexualidade precoce e intenso sentimentos de raiva contra seu pai - que haviam sido severamente reprimidos.

Quando observamos o paciente, notamos o modelo edípico, visto que um de seus desejos é de exterminar seu pai, para ficar com sua mãe. Analisando o filme percebemos o diagnostico de uma patologia mental, ou seja, um sentimento psíquico de neurose obsessiva – assim, nomeado por Melanie Klein - o amor e o ódio vivem em constante disputa no espaço psíquico e, que causa no individuo ataques de desespero, na busca de encontrar racionalidade diante de sua fantasia. Exemplo é quando o paciente começa a contar de 1 a 10, procurando encontrar sua racionalidade.

Nesta visão psicanalítica, analisamos que o paciente tem forte conexão umbilical com a mãe e, assim, as três mulheres que passar a existir em sua vida, é uma representação de sua mãe, quando direciona seu olhar para uma dessas mulheres, equivaler a admirar sua mãe. Na experiência de sua neurose, para possa estar com uma dessas mulheres, o pai precisa morrer. 

Freud denomina essa fase de sentimento como: conflito edípico. Na época, em que pelo filme foi narrado, não existiam as terias das posições de Melanie Klein. Contudo, poderíamos refletir a respeito de elas e associa-las ao filme, consistir em uma contribuição madura a partir das posições de Klein. De tal modo, entendemos que o paciente apreciava sua namorada como sendo – seio bom – quando ela o satisfaz e, – seio mau – quando ela diz que não o ama.

O paciente descreve seu ego inferiorizado, por vezes se diz criminoso, uns dos motivos pelos quais dizia ser um criminoso constituíam em estar sempre devendo para alguém – o pai.  Em sua análise com Freud, o paciente sentia-se recompensado, quando se masturbava e, logo, permitia que seu pai entrasse em seu escritório, para ver o trabalho desenvolvido por ele. 

O símbolo do rato levou Freud e o paciente a uma série de associações que incluíam erotismo anal, lembranças de excitações anais quando o paciente em criança eliminava lombrigas – Freud interpretava como simbolizando um pênis –, e o fato de ter sido espancado pelo pai aos quatro (4) anos de idade por ter mordido uma pessoa. Associou ainda com dificuldades antigas do pai do paciente com o jogo - em alemão, um jogador é uma spielratte ou rato-do-jogo-, a ideia infantil do parto anal e a própria experiência real de haver tido verminose quando criança. Após um ano de análise, o paciente elaborou sua curou de seus sintomas e, nas palavras de Freud, "o delírio dos ratos desapareceu".

O analista, segundo Bion, só será bom o suficiente, se igualmente puderes re/conhecer a si mesmo – saber os seus limites –, apresentar uma compreensão de si mesmo.  Quando paciente projeta suas resistências no analista, logo, percebera sua incoerência e voltará em seu estado de racionalidade. O analista em sua terapêutica troca de lugar com o superego do paciente, de forma a descreverá qual é o ideal de ego do paciente.

Prontamente, é evidente que o filme faz jus ao nome O Homem dos Ratos, significando que o rato é uma representação de criatura desprezível, imunda e ele sentia-se bem como sendo um rato, imaginava os ratos saindo pelo o ânus do seu pai, ou abocanhando todo seu corpo, no tumulo, sentia que ele era o rato que punia seu pai por ser tão rígido e cruel com ele, em toda sua vida.

A partir da análise é muito importante descrever que, é na infância que todo trauma foi vivido, transcorrendo para fase adulta como uma neurose obsessiva, o paciente vive culpando a si mesmo e ao objeto de desejo, martirizando-se por seus sentimentos reprimidos, quando compreende cada um deles pode elaborar a compreensão dos seus conflitos, com o apoio do analista e, assim, podendo elaborar uma nova fase de sua vida. 

Considerações finais

O simbolo é uma forma representativa dos nossos sentimentos, conscientes ou inconscientes.  O simbolo pode ser representado como sendo bom ou ruim, de tal forma nos remete a recordação do objeto  de desejo, consciente ou inconsciente. 



5 comentários:

  1. Maicon, num sonho a msg é direta para o sonhador, sendo assim todo símbolo que nele existe, a significação dele é única e individual para o pp sonhador?

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  2. Querida Mi_le, sem dúvida, no símbolo só pode existir um único significado para o sonhador, sendo único e individual, assim como citastes!!

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  3. MAicon, te fiz essa pergunta pq sonhei com uma cruz Egipcia, sem saber (pelo menos que eu me lembre) que ela era uma cruz. E nesse momento eu tenho vivenciado uitas descobertas em relação a minha espiritualidade e até posto em cheque minha crença em Deus. Por isso que perguntei sobre esse símbolo, já que no Cristianismo temos muitos elementos Egípcios. Se quiser, conto o sonho no Face, em off. Brigadão!

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  4. Baixar o Filme - Sigmund Freud - O Homem dos Ratos - Dublado - http://mcaf.ee/xbvrc

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