sábado, 2 de junho de 2012

ENSAIOS SOBRE A TEORIA DAS POSIÇÕES



Nesse processo da divisão e integração do sistema psíquico e, por conseguinte do objetivo primitivo: seio bom e seio mau. Melanie Klein (1929 – 1946) se utiliza das ideias construídas por Sigmund Freud, sendo de grande importância no processo do esboço de suas ideias.

Segundo Klein, os processos primários e secundários da psique existem desde o início da vida do bebê, ou seja, desde o útero. Existe, também, sensata tendência à integração, dizemos que – Eros é o influenciador neste aspecto, e Thânatos é o mestre em influenciar a desintegração. O bebê em sua imaturidade não pode distinguir tal diferença entre ambos dentro do processo psíquico do humano.


“Na perspectiva da Psicanálise, o analista participa do fenômeno, estando por vezes no lugar do Superego do paciente.”

A autora propõe um inconsciente primitivo do bebê, representado por objetos parciais e descrevendo-o como a posição esquizo-paranóide, de tal maneira que, na satisfação às frustrações, o bebê integrar-se-ia a estas partes em um objeto total, vivenciado o que Klein nomeou de posição depressiva.  A posição esquizo-paranóide tem início do nascimento até por volta dos seis meses de idade, o desenvolvimento do eu é determinado pelos processos de introjeção e projeção. 

Entendemos que, a primeira relação objetal do bebê ocorre com o que Klein chamou de seio bom e mau. Mantendo esta linha de pensamento, é possível notar que os impulsos destrutivos e a angústia persecutória encontram-se no seu clímax, igualmente como os processos de divisão, onipotência, idealização, negação e controle dos objetos internos e externos.

O que proponho é de pensarmos sobre Mãe-Bebê, quanto ao conceito de Eros e Thânatos. A mãe é uma grande fonte de estudo, nas contribuições tanto de Eros quanto Thânatos no processo de desenvolvimento do Bebê, em sua contribuição de integração – Eros –, e desintegração – Thânatos.  Bem como sabemos: a mãe é o continente que oferecerá forma àquilo que é o bebê, que chamaremos de conteúdo. 

No desenvolvimento, é proposta uma constância, já que o bebê está todo desordenado, é a mãe que apresentará o norte à vida do bebê, ensinado a hora de mamar, brincar e dormir. Havendo ausência desse aconchego, e atenção da mãe na tenra infância, o paciente, consequentemente, terá algumas dificuldades em lidar com esta falta na fase adulta. No set-terapêutico, o analista propõe ao paciente uma invariância, constância para que possa compreender esta falta e poder prosseguir sua vida sem tantos transtornos.

Segundo Melanie Klein a defesa primordial é a clivagem, o seio é o objeto primordial e será dividido em seio bom e seio mau, ou num bom objeto que o bebê possui e num mau objeto que está ausente, como mãe nunca está sempre presente na vida bebê para amamentá-lo ela se torna ausente e o bebê com isso inaugura o processo de clivagem em sua subjetividade. Ele percebe o seio como – bom – porque o amamenta e como – mau – porque se ausenta.

A mãe é o ambiente seguro para que o bebê possa formar o seu Ego, já sabemos que é o ego da mãe que da vida ao bebê, por isso, é importante que a mãe sempre proporcione o ambiente seguro para que o bebê desenvolva o seu próprio Ego, e assim poder existir na ausência do ego da mãe, ou seja, formulando que ele é a mãe são objetos distintos e não um único objeto. 

Nesse momento, o bebê reconhece a mãe como um único objeto, ou seja, o bebê começa a reconhecer a mãe como uma pessoa total com existência própria e independente, fonte de experiências boas e más. A criança compreende pouco a pouco que é ela quem ama e odeia a mesma pessoa, sua mãe, e assim inaugura a experiência do chamado sentimento de ambivalência.

No segundo momento, se desenvolve a posição depressiva, ela inicia aos seis meses de idade, nesse momento a relação do bebê com o mundo externo se torna mais diferenciada, aumentando sua capacidade de expressar emoções de se comunicar com as outras pessoas. Mas se a mãe é ausente em grande parte do desenvolvimento do bebê, deixando de ser o ambiente seguro e que proporciona o desenvolvimento do seu ego, a criança enrijecer-se-ia ou sucumbir-se-ia, devido à ausência do ambiente seguro, mãe. Entendemos, então, que o bebê percebe que antes temia a destruição do seu objeto amado por perseguidores e agora ele teme que essa sua agressão possa destruir o objeto ambivalentemente amado e odiado. Sua angústia deixa de ser paranóide pra ser depressiva. E assim começa a se originar sentimentos de culpa e luto, como afirmar Melanie Klein.

O bebê projetará sua pulsão de morte na mãe, pois lhe causa desconforto, ansiedade e a melhor forma de se livrar disso, é projetando a pulsão de morte na mãe – seio mau.  Bem como intuímos, o bebê nessa fase se relaciona com objetos parciais, o seio bom e mau, um objeto ideal e outro persecutório. Entretanto, o objeto mau é projetado para fora do bebê como sendo perseguidores e destruidores do objeto bom. Nessa fase observamos a existência de uma angústia persecutória, então a meta da criança nessa fase é de possuir o objeto bom e introjetá-lo e, além disso, projetar o objeto mau para fora e de tal modo a evitar os impulsos destrutivos.

Na projeção de vida, o seio bom é idealizado, de forma que se fundirá com a presença da mãe e a provisão de suas necessidades. O seio bom e o seio mau estão no interno do bebê, mas é a mãe que irá confirmar que não e, ele projeta na mãe essa divisão: seio ideal e seio persecutório. Para o bebê a mãe são pedaços, é, por isso que o bebê elegera quem traz prazer é uma e a que lhe traz o desprazer é outra. 

Quando o bebê estiver com o seio bom, vai temer a chegada do seio mau.  O bebê sente e compreende que o inimigo está presente no outro, e uma hora este mesmo inimigo vai persegui-lo – Klein chama essa experiência como: posição esquizo-paranóide. Caso o bebê não projetar o ruim no outro – mãe – começara a definhar. 

A psicose surge desses conflitos internos em sua tenra infância, de alguma maneira cada um do seu convívio é responsável por um pedaço desse todo. Elucidando, caso o Ego do individuo esteja nas mãos de outros, ou seja, precisa do outro para dizer quem é ele, é o superego do individuo que regerá sua vida e, certamente, vai vivenciar uma autocomiseração e fantasia, podendo se tornar um psicótico.

Nesse processo é importante que a mãe suporte todas essas projeções, a partir desse ambiente seguro, o bebê começa a compreender que o seio bom e seio mau são a mesma pessoa. A partir do acolhimento da mãe, que tornou o conteúdo integrado, o bebê começa a compreender que toda essa bagunça externa está dentro dele – Klein – nomeia este sentimento como sendo: posição depressiva - capacidade de suportar a culpa de ter odiado quem o ama. A ansiedade do bebê – posição depressiva – é que as suas hostilidades possa destruir ou danificar o objeto amado – culpa. 

No desenrolar do processo de desenvolvimento psíquico é que o bebê sente dificuldade em compreender que existe outra pessoa além dele, a mãe.  Desta forma se inicia um processo de reparação dessa relação objetal ambivalente. É com esse processo de reparação desse luto e culpa é que constituirá na melhor saída da posição depressiva. Esse processo se dá com a aceitação da perda de parte do objeto, sucedendo essa condição o bebê poderá restaurar o objeto amado, porque somente assim ele poderá reparar o desastre ocorrido e assim preservar o objeto amado de outros ataques dos objetos maus, esse processo de superação e reparação, segundo Melanie Klein, é o chamado de trabalho de luto.

Portanto, através da elaboração da perda é que o bebê incide a trabalhar saudavelmente a construção de sua subjetividade. E de acordo com Melanie Klein, nós sempre estaremos vivendo as posições esquizo-paranóide e depressiva ao provir de nossas vidas, sempre de forma alternada, segundo a Psicanálise Kleiniana, essas são as únicas formas de se convivermos com objeto e de viver nossa angustiosa e terrível realidade.


“O amor e o ódio disputam espaço dentro do aparelho psíquico, é de extrema importância equilibrar a tríplice do aparelho psíquico: Id, Ego e superego.”

2 comentários:

  1. Lucia Helena00:20:00

    ...... uma simbiose..


    Adoro ler tudo que você posta Maicon....

    ResponderExcluir
  2. Anônimo19:47:00

    Adorei o blog! Obrigada por compartilhar os pensamentos, ideias e informações sobre este universo tão fascinante que é a mente humana.

    Abraços
    Renata

    ResponderExcluir

Agradeço sua visita, deixe um comentário e compartilhe o conteúdo do blog com seus amigos.