quarta-feira, 30 de maio de 2012

ENSAIO SOBRE LUTO E MELANCOLIA E AS VICISSITUDES

Segunda Tópica:

A base do que vamos pensar é que a Psicanálise não é nova, porém, confortável. Enquanto algumas teorias procuram compreender tudo de forma intelectual, a Psicanálise visa à estrutura emocional. Quando perdemos algo que consideramos importante, passamos pelo processo de luto: a perda começa desde o parto – a perda do ambiente do útero interior, para o mundo exterior, fora da barriga.

Recolhimento: É o momento a partir do qual nos recolhemos do mundo externo e voltamo-nos para o mundo interno, vivendo uma fase de latência, pois nos desinteressamos pelo que está no mundo externo. Somos abandonados por Eros e ficamos a cargo de Thânatos.

Esquema de luto: Entendemo-lo pelo “perde o perigo”. Há o recolhimento até que consiga compreender o que está a sua volta e reformular seu mundo sem o objeto perdido.

Melankholia: Do grego Khlis (bílis) e Mêlos (negro), literalmente bílis-negra. Quando se perde o objeto de desejo, em nosso processo de elaboração do Luto, o mundo torna-se pobre e vazio. 


No estado de melancolia o Ego torna-se carente e vazio, pois, vivencia um estado (permanência) de sofrimento, por não conseguir elaborar a perda, culpa-se o objeto perdido por suas falhas, ou, busca ser ou torna-se o objeto perdido. Na melancolia o próprio eu se perde com o objeto. 

O autismo poderia ser um exemplo de melancolia crônica, uma vez que se ele vivesse ainda no útero, pois não é preciso lidar com o externo, só existe o seu mundo e nada mais. Na melancolia vivemos o narcisismo, de modo que por precisar do outro para ser Eu, se o outro morrer, ou se morre junto, ou torna-se o outro para viver. 


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ensaio da compreensão básica sobre a Psicanálise

Por Maicon José de Jesus Vijarva

Uma visão topográfica do aparelho psíquico:


TOPOS (do Grego, lugar).
Segundo Freud (1915/1996b, p. 179): 
“Nossa topografia psíquica, no momento, nada tem que ver com a anatomia; refere-se não a localidades anatômicas, mas a regiões do mecanismo mental, onde quer que estejam situadas no corpo.” ··.

Libido: Necessidade de saciar o desejo carnal, também, podendo ser denominado de uma carência.

Primeira tópica: Nesse sentido, os processos mentais foram divididos em três sistemas básicos: o inconsciente (Ics), o consciente (Cs) e o pré-consciente (Pcs):

Inconsciente: é tudo aquilo que fazemos sem perceber, sem termos o conhecimento de que estamos fazendo e tudo que está no inconsciente traz consigo insegurança, é uma parte que o eu desconhece. É no inconsciente que se localiza a libido, por isso, que no inconsciente não mensuramos o tempo, pois não há tempo e nem espaço. É onde produzimos nossas fantasias, sonhos. Podemos dizer que o sonho é a maneira mais fiel dos conteúdos inconscientes, constante realização de desejos, acompanhadas de imaginações e fantasias.

Pré-consciente: É a parte do aparelho psíquico, no qual ocorre a junção do externo com o interno, ou seja, da consciência com a inconsciência. No entanto, é a área de representação, simbolização do objeto, que é oriundo de dois lados, duas partes – percepção da realidade consciente – e, também, da pulsão inconsciente que misturamos as coisas, as informações, os sentimentos, tudo porque não foi possível passar por uma barra de censura entre ambas às partes.

Consciente: O consciente é tudo o que é externo, real, em que o podemos reconhecer os objetos, sentimentos. É a fronteira entre o psíquico (mente) e o somático (corpo), no qual as pulsões primitivas entre os dois se manifestar-se-ão no corpo, causando sintomas fisiológicos.

Ensaios para compreensão da Segunda Tópica:

Pulsão + Objeto = IMPULSO

O impulso vem da pulsão e só pode acontecer quando está na presença do objeto – Eros – interior para o exterior, sempre estará a favor do outro, contra o eu. Sendo a catexia libidinal, e não sendo uma libido livre, mas, apenas, uma pulsão.

Assim, um processo secundário fará com que o outro dite a verdade.  No entanto, se o objeto não for capaz de acolher, numa função nirvana, ou seja, recolhe-se – quietude em si mesmo. Esse desejo é reprimido, sendo jogado de volta ao ICS, expulso do CS e esse eu passara a criticar todos os que alcançaram seus objetivos, uma vez que ele não pode ser, não deixará o outro ser.

Objeto Substitutivo: o reprimido voltará a buscar o objeto de forma ambígua: Amor e ódio. O reprimido é tudo aquilo inconsciente que não foi obtido espaço no consciente, sendo algo que não pode se realizar, que não pode ser levado ao mundo externo, é aquilo que desejamos ter ou ser e não conseguimos, mas achamos que somos ou é nosso.

Mas, temos salvação caso esses elementos reprimidos que só saíram da fase da latência, para o manifesto, quando encontrarem portas para um ambiente seguro.  Todavia, pode ocorrer desses elementos reprimidos nunca encontrarem portas para voltar para o consciente, conseguindo assim verbalizar o que se sente – geralmente isso ocorrerá na tenra infância. Caso não verbalize, sempre existira uma angústia desconhecida, pois não saberá o que ocasiona toda essa angústia.

Representação: É quando a pulsão encontra no seu mundo externo um objeto suficiente bom, tornando-o uma representação simbólica. Quando não estou com o objeto, saberei que ele logo voltará, assim poderá suportar sua ausência por sensato tempo.

Portanto, o mundo interno é compreendido por meio do inconsciente, e o mundo externo por meio da consciência, realidade.

Considerações finais:

Thânatos é conhecido como o deus da morte, é a oscilação do aparelho mental entre o consciente para o inconsciente, é aquilo que rompe o vínculo com o outro. 

Eros é Deus do amor, é o elemento interno que se pronuncia no externo, aquilo que permite ir atrás do outro.


domingo, 13 de maio de 2012

Os sentimentos reprimidos da criança na fase adulta




A proposta do tema é uma forma de contribuição para com a Psicanálise, baseia-se nas observações que pude fazer ao longo dos conhecimentos que venho internalizando, a partir do aparato da Psicanálise, com crianças e adultos. A ideia que venho propor nesse texto é a formar de como penso os processos da analise, e não estabelecer ou idealizar qualquer forma ou método de analise.

O repúdio do adulto à sexualidade da criança se expressa na ilusão de ignorá-la, regido pelo seu grande interesse em proibir suas manifestações. Deste modo, o adulto responde com mentiras às perguntas da criança e a induz a mentir, certamente criando sérios conflitos ulteriores. 

Nestes casos, é de extrema importância que os pais tenham uma maior atenção com os processos do desenvolvimento do seu filho, estando preparados para ajudar a esclarecer as perguntas feitas por eles, sem mentir ou omitir informações sobre seu questionamento. 

Na fase adulta é esperado viver não apenas momentos de momentos, mas sim verdadeiramente conscientes da nossa existência, uma das nossas necessidades e difícil realização é de encontrar um significado em nossas vidas. 

Na vida adulta, muitos perdem o desejo de viver, perdem os sentidos, e param de tentar, porque tal significado lhes escapou. Neste contexto, o melhor é que o paciente passe por sessões de análise, sobrevindo por um processo árduo de elaborar seus conflitos da infância na fase adulta. Consiste em uma compreensão do significado da própria vida, equivale a percorrer à pontos mais obscuros dos próprios sentimentos, para que possa adquirir uma maturidade para se conscientizar e reconhecer a causa dos seus conflitos, sintomas. 

Na fase adulta será possível que ocorra a abrangência madura do significado da existência, em sua experiência com si mesmo e com o mundo. É perceptível notarmos que muitos dos pais desejam que as mentes dos filhos funcionem como as suas – como se uma compreensão madura de nós mesmos e do mundo das ideias sobre o significado da vida não tivessem que se desenvolver tão vagarosamente quanto nosso corpo e mente.

Na análise, o psicoterapeuta precisará dispor de um ambiente verdadeiro e seguro para o paciente, visto que toda análise é basicamente uma tentativa de oferecer segurança para que o paciente possa por si mesmo libertar os impulsos reprimidos.

Na composição desses sentimentos reprimidos pode se descobrir escoamentos insuficientes, sendo que o ego é cobrado intensamente, uma vez que é preciso escolher entre o que ele é – Ego - e o que ele deveria ser - ideal de ego. Neste momento o sujeito vive árdua batalha entre o ego e o superego, entretanto, o paciente terá que reconhecer mecanismos íntimos para equilibrar sua vida psíquica. 

Devemos lembrar que, os processos de cura do paciente só são possíveis se, por si mesmo, o paciente desenvolver recursos íntimos de modo que sua emoção, imaginação e intelecto trabalhem em conjunto e enriqueça mutualmente o sujeito na compreensão de sua própria existência. Segundo Bruno Bettelheim (1975-1976) - A psicanálise dos contos de fadas. 

"Nossos sentimentos positivos nos dão forças para desenvolver nossa racionalidade; só a esperança no futuro pode sustentar-nos nas adversidades com que inevitavelmente nos deparamos." 

Muito provável que esses sentimentos se estendam, ocasionando conflitos no aparelho psíquico do sujeito. Sigmund Freud (1856-1939) pai da psicanálise: 

“A Psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor”. Partindo deste referencial, o essencial para o analista é nutrir o vínculo estabelecido entre ele e o paciente, fazendo do set-terapêutico um ambiente seguro, em partes, para que o paciente venha sentir-se à vontade para expressar uma síntese dos conflitos internos e externos vivenciados por ele. 

Outra contribuição é o escritor Antoine de Saint-Exupéry (1943):

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".

No decorrer das sessões o vínculo vai sendo construído e começa a estruturar à confiança do paciente para com o analista, sendo que este um processo árduo para ambos. O papel da psicanálise é, em sua essência, conduzir o paciente ao caminho do amor. O que traz à recordação a reflexão de uma grande amiga, Yasmini de Almeida Perissotti, que cita:

É preciso ser capaz de amar para conduzir o outro ao caminho do amor, em seu texto O ideal analista.

No entanto, para conduzir o paciente à compreensão e reconhecimento dos seus sintomas – conflitos, e não somente ser um espectador contemplando o espetáculo. Entretanto, é de ampla importância oferecer um vínculo real e verdadeiro para o paciente, para que seja possível estabelecer um ambiente seguro para que a análise ocorra de forma satisfatória. 

O que nos leva a reflexão que para compreender o outro, antes de qualquer teoria, o analista necessita estar com sua análise pessoal em dia, para que possa confiar em si mesmo e proporcionar um ambiente de segurança para o seu paciente, podendo debruçar seus conflitos do dia ou semana, em cada sessão. Em algumas circunstâncias o paciente pode fazer comparações dos conflitos atuais com os vivenciados na tenra infância. 

Para que a análise seja satisfatória – real, o analista deverá estar para atenção flutuante, analisando todo o processo que o paciente se utiliza para narrar os fatos de sua vida. É por isso a importância do analista permanecer atento a cada pausa e mudança de humor da narrativa do seu paciente. Enquanto o paciente fala livremente, seguro da ausência de crítica, as ideias associativas o aproxima das recordações traumáticas da infância. 

O que pode oferecer algumas contribuições para a investigação da causa dos sintomas do paciente. A partir do ambiente suficientemente bom e seguro, o paciente sentira a seriedade, que possibilitará descobrir, reconhecer e valorizar o vínculo oferecido, que será a base para reflexão das manifestações dos seus conflitos internos, reprimidos.

As contribuições que o vínculo proporciona ao sujeito reviver com o terapeuta suas primeiras experiências objetais. Freud (1896) é imprescindível interpretar estas reações transferenciais, positivas e negativas, como repetições daquelas situações pretéritas.

O valor da análise intuitiva, acontece quando o analista comunica o paciente sobre seus descobrimentos, em momento oportuno oferecido pelo próprio tempo lógico da análise, possibilitando que o próprio paciente reconheça estes descobrimentos e os torne conscientes.

Por isso que o único presente que o paciente pode oferecer ao analista é trabalhar em prol a sua própria análise, oferecendo a si mesmo o gozo de elaboração dos seus sintomas, transformando em causa, que dará movimento a sua existência. O papel da psicanálise é, em sua essência, conduzir o paciente ao caminho do amor. Quando se é conduzido ao amor, o conhecer-se a si mesmo é consequência.