domingo, 18 de março de 2012

Uma analogia psicanalítica sobre o mito da caverna II


        Esse processo de transformações, muito nos parece, com o processo de ida e volta à caverna de Platão, de modo a entender que, quando o paciente se sente frustado, amedrontado ou desconfortável com si mesmo ( é regido por 'Tânatos'). Mas quando ele se sente confiante e seguro de si mesmo (é regido por 'Eros'), ou seja, o paciente quando sente amedrontado ou inseguro ('não consigo', 'tenho medo' e 'se der errado'?) é o processo de querer voltar para caverna, o inverso é quando o paciente se sente seguro  e confiante de si ('vai dar certo', 'vou tentar', 'quero mais') é o processo de querer sair da caverna.

        Na evolução, há os que vivem sem conhecer a verdade com o medo de se acharem incapazes de viver o ardor da verdade, entretanto, há os que vivem em prol do conhecimento, uns pelo conhecimento de si mesmo e outros pelo conhecimento que, lhes dará uma classificação social. Nesta perspectiva, o ser humano veio ao mundo como uma pequena muda que precisa ser cuidada, regada e nutrida de muito amor. Portando, o sujeito necessitará de um ambiente suficientemente bom para que haja um bom desenvolvimento saudável do seu aparelho psíquico.

        Acreditando na existência de uma verdade única, não há como deixarmos de imaginar que ela seja a nossa própria. Sendo assim, verdades alheias passam a ser equivocadas, de forma que estabelecemos a perigosa divisão entre o "eu" e o "outro", é comum os sentimentos de complexidade nesta perigosa divisão que o desconforto da verdade nos traz, de maneira que o conhecimento se confronta com a realidade subjetiva de cada ser humano, também, é possível ver no indivíduo em um processo de transformações psíquicas profundas, em que cada frustração, sofrimento ou alegria humana são permeadas pela experiencia do existir, em uma busca pela plenitude do ser.

    Os aspectos externos do indivíduo interferem nos aspectos estruturais, ou seja, quando o indivíduo se desloca para fora da caverna ele confronta seus ideais internos, com os aspectos externos, nesse período o indivíduo não se preocupa com olhar para dentro de si mesmo, pois está mais focado em viver sua aventura externa. Tenho a impressão de que, essas reflexões nos permitem uma melhor compreensão do mundo, entretanto, quando  nos interrogamos acerca do valor da vida, só podemos medir em relação às ideias dos séculos passados e nos impele a confessar: sim nossa vida tem um sentido.

        Dimensionada nos dias atuais ela nada significa, por nos acomodar com as verdades que nos é emitida, nos deixando ser manipulados, muito se relaciona com a caverna de  Platão, de modo que o sujeito vivia sob a perspectiva das sombras projetadas na parede diante deles, achando que essa é toda realidade que existe. Visto por esse ângulo, diríamos que lá no fundo, sob todas as máscaras, por trás dos mais voluntários gestos de coragem, além das mais arraigadas certezas e seguranças, no mais recôndito de nossos corações, esconde-se um sentimento que nos acompanha todas as horas do dia, um grande amigo fiel: o medo, mesmo que inconsciente. E os medos são muitos, enfrentar a perda dos entes queridos, a doença e a morte, o de não termos como sustentar nossos sonhos, o de fazermos escolhas erradas, a de viver a vida inteira se culpando por ter errado.  

Finalizo com o pensamento de Carl Gustav Jung - Memórias, Sonhos e Reflexões (1961):


 "Sofremos demasiadamente a incompreensão e o isolamento a que se é relegado quando se tenta dizer aquilo que os homens não compreendem."

Maicon José de Jesus Vijarva

4 comentários:

  1. Gustavo Andrade20:26:00

    Chego a pensar que você é o "Unheimliche" de todos nós, humanos. É interessante como consegue colocar dentro do "de-dentro" de mim um processo de roer e de questionar que chega a ser destruirdor, mas, sim, também, é-lo gerador.
    Parabéns!

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  2. Interesante o que vocês escreveu. Só uma coisa: O Mito da Caverna é de Platão já que segundo este, todos nos´estamos acorrentados uns aos outros e estamos de costas a uma fogueira no qual não vemos a realidade em si e sim a nossa sombra.

    Mas enfim, gostei do post. parabens

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  3. Querido Gustavo Andrade, muito obrigado pelo carinho, sua amizade é enriquecedora, te admiro muito, e de coração agradeço por ter o privilegio em ser seu amigo. Um grande abraço.

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  4. Querido Rodrigo Gallo, fico muito grato pelo seu reconhecimento, pois nutre meu ego, impulsionando sempre desejar mais conhecimento e me dedicando cada vez mais.

    Um grande abraço!

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