domingo, 18 de março de 2012

Uma analogia psicanalítica sobre o mito da caverna


Nos tempos atuais, do qual fazemos parte, o conhecimento nos leva a aprendizagem constante sobre o mundo. Quando buscamos o conhecimento, adquirimos informações do que, supostamente, nos aproxima da verdade, baseando-se em uma variedade de pensadores como Sócrates, Platão, Freud, Nietzsche, Kant, entre outros, nos propondo um referencial que o conhecimento traz consigo, o desconforto, ou seja, quando buscamos o conhecimento começamos a viver a crise existencial, de modo que estamos deixando o 'passado' para viver a incerteza do 'presente'. O desenvolvimento do aprender gera impacto doloroso,  de certa maneira, por estarmos vivendo um processo de luto. Este processo psíquico é vivido intensamente com angustia, quando ameaça o  rompimento com a solidão. 

O desenvolvimento do aprender gera impacto doloroso,  de certa maneira, por estarmos vivendo um processo de luto. Este processo psíquico é vivido intensamente com angustia, quando ameaça o  rompimento com a solidão. No modelo psicanalítico do "Mito da Caverna" (A REPUBLICA - Platão), Sócrates questiona Glauco através de um dialogo de suposições, Sócrates propõe o pensar sobre 'O Mito da Caverna'.   Trata-se de alguns prisioneiros que vivem numa caverna, acorrentados, entre si,  desde o seu nascimento. Eles estão presos de tal forma que tudo o que vêem são sombras projetadas na parede diante deles. As sombras são reflexo de uma fogueira que arde atrás, e sobre eles. Como tudo o que os prisioneiros conhecem são as sombras, eles acham que aquela é toda a realidade que existente, possível.

Mas, eis que um belo dia, um deles consegue se libertar, contudo, tem sua visão ofuscada pela luz, mas mesmo com a vista embaçada, ele se guia inicialmente pelas sombras até, finalmente, chegar no mundo de fora da caverna. Quando o prisioneiro sai da caverna, sente um grande ódio dos companheiros e da prisão que vivera anteriormente. Some por alguns dias, retornando durante uma tempestade, quando, no caminho encontra um predador. Com muito medo, entra na caverna, mas agora fica com sua visão opaca, pois não consegue enxergar devido a escuridão, no entanto vai caminhando até chegar ao seu antigo lugar. Ao se acomodar o ex-prisioneiro começa a se sentir incomodado, sente que o lugar está pequeno demais para ele e procura revelar a verdade aos seus companheiros. A verdade, aquela do lado de fora da caverna, o verdadeiro mundo real.


Na perspectiva de mundo interno não há experiência, porque não há referência. Só o 'eu' existe, igual na caverna, só existe as sombras e alguns prisioneiros. Em tudo há uma restrição (isso é tudo); que é muito diferente de limite, pois (há algo além). Não se mensura o tempo, muito menos preocupação com ele, já que tudo é sempre igual - muito parecido com a fogueira fora da caverna, acesa o tempo todo. Em nós há uma invariância, pois há mágoas e feridas que, com o passar do tempo, continuarão a existir em nós. Sempre guardadas esperando atenção.

No mundo externo, é notável que, quando o individuo consegue sua liberdade, quando há o desprendimento e uma nova consciência do mundo, novos desafios se despontarão. Entretanto, nosso mundo, sociedade ou do que quiser nomear, é incerto, inseguro, que por sua vez permite que o prisioneiro enxergue sua ignorância. Quando antes houve a invariância; agora tudo se transforma, o prisioneiro em transformação. A intenção do prisioneiro agora é:  de retornar, mas como retornar? Uma vez, tendo experimentado a liberdade, o prisioneiro já não é mais o mesmo, pois conheceu a verdade, viveu grandes experiências. No seu retorno, o prisioneiro se sente inseguro, não consegue lidar com sua diferença devido seu conhecimento, se sente incomodado, excluído. 

Mas só depois que ele conseguir passar a lidar com essa situação, é que ele conseguirá se reconhecer. Quando o ser se reconhece, é que consegue reconhecer o outro. De modo que, reconhecer é saber se está dentro ou fora, o que é melhor, o que é necessário. Sem criticar o outro. Sigmund Freud diria que, a função do psicoterapeuta é a de: propor que o paciente esteja dentro da sua caverna e compreenda sua necessidade de conhecer a verdade. Melhorar o ambiente da caverna para o paciente.
A psicoterapêutica-psicanalítica vem justamente acompanhar o desenvolvimento do individuo na sua aprendizagem e no seu processo de luto, a psicoterapia provoca grandes transformações, algumas em curto prazo e outras em longo prazo, entretanto, o objetivo da psicanálise não é se preocupar com o tempo, mas primeiramente priorizar o vínculo com o paciente, pois o vínculo criado com o paciente ajuda na interpretação das suas dificuldades e limitações, as  que o paciente leva ao psicoterapeuta, desta maneira o psicoterapeuta tem uma visão mais madura para construção das abordagens, de modo a fazer do set psicoterapêutico um ambiente propriamente seguro ao paciente, sendo assim, o paciente se sentirá seguro e poderá desenvolver o seu aparelho psíquico com tranquilidade, e a entender que por si mesmo, pode encontrar formas para superar suas dificuldades e  limitações, sem se culpar. 

O intuito do psicoterapeuta é ser o ambiente seguro, o colo da mãe, reconhecer o paciente, aquilo que ele é e nada mais, para que o paciente possa reconhecer a si mesmo. Mas  isso requer que psicoterapeuta e o paciente se harmonizem no despertar do desenvolvimento psicoterapêutico.

Leia mais: 
Uma analogia psicanalítica sobre o mito da caverna II

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