quarta-feira, 7 de março de 2012

A filosofia na psicanálise




            Grandes filósofos como Sócrates, Platão e Kant, propõem-nos teorias filosóficas impraticáveis no dia a dia, suas ideias e teorias passaram por décadas até chegar a Freud, que, por sua vez, procurou conciliar o discurso filosófico, em uma Filosofia aplicada ao cotidiano. Toda a Psicanálise de Freud tem uma base muito forte da Filosofia, por esta razão, ele procurou esclarecer melhor toda essa aplicação de Filosofia à teoria psicanalítica. Se propusermo-nos pensar na perspectiva do conceito psicanalítico, Freud criou uma Psicanálise com fundamentos filosóficos, organizando toda essa Filosofia para construção de uma teoria que acolhesse o Sujeito na Psicanálise. .  A partir desta proposta de vínculo, que a Psicanálise freudiana traz, é a perspectiva de criar um vínculo entre o Sujeito e o Psicoterapeuta, e dessa forma, foi possível conhecer a realidade do sujeito, e procurar associá-la no seu cotidiano.
          A partir deste pensamento, veremos a importância da Filosofia de Immanuel Kant (1781). Este filósofo alemão propôs-nos pensar em uma teoria das "possibilidades": estariam as categorias básicas de conhecimento, o conhecimento a priori e o conhecimento a posteriori. Para Kant, a priori não depende da experiência, sendo assim, algo mais teórico. Um conhecimento acumulativo, que pode ser transmitido aos outros, como uma verdade. Já, no conhecimento a posteriori, é o extremo oposto: é o saber sintético que resultam da experiência e, por isso, implicaria aspectos privados e incertos. Segundo Kant, o conhecimento a posteriori estaria o vínculo, outrora um relacionamento entre sujeito e o objeto do conhecimento.


O SUJEITO E O OBJETO

Algumas pessoas dizem que não gostam de alguém, no entanto, nunca experimentaram um diálogo com esse outro sujeito. Mas não gostam de tal sujeito, simplesmente porque ouviram rumores que ele é estranho, é metido, que conta vantagens. Sabemos bem como somos, a princípio sempre temos esse pensamento. 
     

            No conhecimento a priori, pode se dizer que especulamos algo sobre a superfície do "Sujeito", o seu nome e o que as pessoas dizem sobre ele. Como seres humanos, só de analisarmos a superfície, achamo-nos no direito de pré-julgarmos sem conhecimento. É muito incerto dizer algo sobre o Sujeito, quando não pudemos ter a experiência (vínculo). Não se pode conhecer o sujeito "em si", sem que haja uma experiência de vínculo com o mesmo. Qualquer outra tentativa de conhecimento, que não seja a experiência estaria funcionando como uma injustiça e estaria, em muito, embasada na crítica.  Visto que, a experiência está ligada às sensações e à percepção, ou seja, um vínculo entre o Sujeito e o objeto. Quando não há a experiência, somos limitados em dizer o que é o Sujeito "em si". 



            No entanto, quando obtemos o conceito a priori, o nome, a realidade, a razão do objeto; estamos deduzindo o que é o objeto. A priori é a ideia do que vem antes. É um processo para se chegar ao conhecimento, que consiste no pensamento dedutivo, já a posteriori, a ideia do que vem depois, seria o conhecimento afirmativo, que consiste na experiência. A obra de Kant pode ser associada ao conceito pedagógico, que prioriza toda possibilidade de se qualificar o sujeito para a experiência. Entretanto, para Kant, representaria a remoção do sujeito de sua menoridade, posição na qual se encontra dependente do saber do outro. Segundo Kant, o "por si mesmo" é a única forma saudável que o sujeito encontraria para aprender e a lidar com as limitações. Renato Dias Martino cita que, qualquer outra forma do sujeito buscar o conhecimento, que não seja "por si mesmo", colocá-lo-ia dependente da experiência do outro. Para Martino, não seria muito difícil chegarmos a uma concepção em que uma verdade contada não pode ser comparada a uma verdade vivida.  Portanto, fora da experiência não pode haver o real aprendizado. 




SIGMUND FREUD


"A finalidade de uma análise é recuperar a capacidade de amar." 

Sigmund Freud


















Maicon José de Jesus Vijarva

4 comentários:

  1. Querido Lucas,

    Muito grato pelo reconhecimento, e fico muito feliz que tenha gostado.

    Um grande abraço forte!

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  2. O texto me remete a lembrar da versão das duas verdades: a verdade Revelada e a verdade Experimentada.
    Muito bom!

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  3. Nilton23:28:00

    Ótimo texto que pode ser aplicado em muitos campos além da filosofia e psicanálise! Até mesmo na vida diária se pensarmos em quantas vezes perdemos a oportunidade de conhecermos pessoas, objetos e lugares magníficos se baseando apenas no conhecimento a priori...

    Parabéns mais uma vez Maicon!

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